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Quem é o 'grande lobo mau' nas relações com a América Latina: EUA ou China? Mídia explica

Jornal chinês rebate críticas dos EUA e destaca influência econômica de Pequim na América Latina, especialmente no Peru.

Publicado em 30/04/2026 às 12:11
Disputa entre EUA e China pela influência na América Latina ganha novos capítulos com foco no Peru. © AP Photo / Susan Walsh

Washington manifesta preocupação diante do fortalecimento da cooperação entre China e países da América Latina, relação considerada sólida e estratégica, e por isso tenta conter essa parceria, levantando suspeitas sobre as intenções de Pequim na região, segundo o jornal estatal chinês Global Times.

De acordo com a reportagem, embora os Estados Unidos tentem apresentar a China como um "grande lobo mau" para a América Latina, especialmente para o Peru, Pequim não demonstra má-fé nas relações com o continente. O próprio governo norte-americano, que insiste em promover sua política hegemônica, deveria, segundo o veículo, "olhar-se no espelho".

O debate ganhou força após um incidente diplomático envolvendo China, Peru e Estados Unidos.

No dia 27 de abril, o embaixador dos EUA no Peru, Bernie Navarro, comparou a China ao "grande Lobo Mau" do conto de Chapeuzinho Vermelho, numa tentativa de desqualificar a cooperação chinesa com o Peru e outros países latino-americanos, segundo o Global Times.

A resposta veio rapidamente do embaixador chinês no Peru, Zhu Jingyang. Ele afirmou que seu colega norte-americano, ao recorrer a essa metáfora, deveria "se olhar no espelho".

"Vocês falam em 'livre escolha', mas impõem sanções; fingem maturidade, mas recorrem ao escárnio barato. Assim, deixam claro quem é realmente o grande Lobo Mau", citou o jornal as palavras de Zhu Jingyang.

O Global Times também destacou que, neste ano, os Estados Unidos declararam o Peru como seu aliado principal fora da OTAN. Após essa decisão, Lima teria sofrido pressão de Washington para adquirir caças norte-americanos F-16, sob ameaça de retaliações caso optasse por outras alternativas.

"A compra de armamentos é uma decisão soberana de cada Estado. O fato de o embaixador dos EUA fazer declarações arrogantes e interferir na soberania de outro país evidencia a natureza hegemônica dos EUA", afirma o texto.

Ao mesmo tempo, o jornal ressalta que a China é atualmente o principal parceiro comercial do Peru e que investimentos chineses possibilitaram a construção do porto de Chancay, ao norte de Lima, que se tornou um relevante centro logístico no continente.

"Quando o capital norte-americano se retirou ou hesitou, o investimento e o comércio chineses em infraestrutura preencheram uma lacuna de desenvolvimento. Quem é o Lobo Mau na cooperação China-América Latina? Os EUA deveriam se olhar no espelho", conclui a reportagem.

Nesta segunda-feira (27), a pesquisadora Chen Wenling, do Centro de Estudos Russos da Universidade Pedagógica do Leste da China, afirmou que os Estados Unidos estão transformando o Hemisfério Ocidental em seu "quintal" para tentar afastar Rússia e China da região.

Por Sputnik Brasil