Dívida bruta do governo geral atinge 80,1% do PIB em março, aponta Banco Central
Endividamento público segue em alta e alcança maior patamar desde 2020; gasto com juros também cresce e ultrapassa R$ 1 trilhão em 12 meses.
A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) , como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), subiu de 79,2% em fevereiro para 80,1% em março, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira, 20. Em valores nominais, a dívida aumentou de R$ 10,178 trilhões para R$ 10,356 trilhões.
O maior nível da série histórica foi registrado em dezembro de 2020, quando a dívida chegou a 87,6%, em razão das medidas fiscais tributárias no início da pandemia de covid-19. O menor patamar foi em dezembro de 2013, com 51,5% do PIB.
Pelos estratos do Fundo Monetário Internacional (FMI), a DBGG caiu de 94,0% do PIB em fevereiro para 92,0% em março, uma redução de dois pontos percentuais.
A DBGG considera o endividamento do governo federal, dos governos estaduais e municipais, excluindo o Banco Central e as empresas estatais. Esse indicador é uma das principais referências usadas por agências globais de classificação de risco para avaliar a capacidade de solvência do país. Em geral, quanto maior a dívida, maior o risco de inadimplência do Brasil.
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) , que desconta as reservas internacionais brasileiras, também apresentou alta, passando de 65,5% do PIB em fevereiro para 66,8% em março, o maior patamar desde o início da série histórica, em 2001. Em valores nominais, a DLSP atingiu R$ 8.643 trilhões.
Gasto com juros
O setor público consolidado registrou resultado negativo de R$ 118.862 bilhões em março apenas com despesas de juros, após um gasto de R$ 84.201 bilhões em fevereiro, conforme informado o Banco Central.
O governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) teve despesas de R$ 112.180 bilhões em juros. Já os governos regionais gastaram R$ 5.899 bilhões, enquanto as empresas estatais desembolsaram R$ 784 milhões.
No acumulado de janeiro a março, as despesas do setor público com juros somaram R$ 266.690 bilhões, o equivalente a 8,28% do PIB. Considerando os últimos 12 meses, o gasto totalizou R$ 1.080 trilhão, ou 8,35% do PIB.
Em 2025, o resultado do setor público com juros nominais foi negativo em R$ 1.008 trilhão, sendo a primeira vez que as despesas líquidas com juros superaram a marca de R$ 1 trilhão no acumulado de 12 meses em toda a série histórica.