CENÁRIO INTERNACIONAL

Bailey, do Banco da Inglaterra, destaca limites da política monetária diante de choque de energia causado por guerra no Irã

Presidente do BoE afirma que conflito eleva incertezas e pressiona inflação, mas ação do banco central tem alcance restrito frente a choques externos.

Publicado em 30/04/2026 às 09:04
Banco da Inglaterra Arquivo

O presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey, afirmou nesta quinta-feira, 30, que a política monetária não consegue impedir os efeitos do choque de energia provocado pela guerra no Irã sobre a economia e a inflação do Reino Unido. Bailey ressaltou os limites de atuação do banco central diante de choques externos, como o atual conflito.

Durante a coletiva de imprensa após a decisão de manter a taxa de juros em 3,75%, Bailey destacou que o conflito tem "impacto significativo" nas projeções econômicas e deve levar a inflação a aumentar 3,5% até o fim do ano. Segundo ele, os efeitos indiretos iniciais tendem a ser sentidos principalmente nos preços dos alimentos, refletindo o repasse do aumento dos custos de energia ao longo da cadeia produtiva.

O dirigente também observou que a magnitude dos chamados efeitos de segunda ordem — quando o impacto inicial se espalhou para a previsão e outros preços — é "altamente incerta". Nesse contexto, Bailey alertou que as negociações salariais podem desempenhar papel importante na propagação das pressões inflacionárias.

Bailey acrescentou ainda que uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz, rota de cerca de 20% do petróleo mundial, poderia mitigar parte do impacto económico do conflito, ao aliviar as tensões sobre a oferta global de energia. Apesar disso, reforçou que o cenário permanece marcado por elevada incerteza, exigindo acompanhamento constante por parte do BoE.