Compra do F-16 alinha Peru aos EUA e pode enfraquecer integração de defesa regional
Aquisição de caças norte-americanos representa mudança estratégica e aproximação do Peru com os EUA, apontam especialistas.
O governo do Peru está em processo de aquisição da caça norte-americana F-16, como parte do plano de renovação de sua frota iniciado em 2024. Segundo o geopolítico Vinicius Modolo Teixeira, ouvido pela Sputnik Brasil, essa decisão representa uma mudança significativa na política de defesa peruana, que até os anos 1990 priorizava aeronaves russas.
Teixeira ressalta que houve forte pressão dos Estados Unidos para a compra e que as negociações avançaram em ritmo acelerado, incluindo o envio de dois F-16 ao Peru para um show aéreo, evento que inicialmente não foi confirmado.
O especialista destaca que há um esforço dos EUA para recolocar a América do Sul no centro de sua diplomacia. “As armas fazem sentido nesse contexto, pois representam uma estratégia de dominação, integração e conquista diplomática na região. Oferecer armamentos fortalece a confiança mútua”, explica.
Para o professor Sandro Teixeira, a indústria de defesa tornou-se uma ferramenta da geopolítica global. “Os processos de aquisição são cada vez mais demorados, pois envolvem não apenas a compra do armamento, mas também o alinhamento político e a dependência da cadeia industrial do país fornecedor”, analisa.
O internacionalista Guilherme Frizzera pondera que a compra do F-16 não implica alinhamento automático, mas cria laços duradouros em áreas como treinamento, manutenção, doutrina, peças, atualizações e interoperabilidade. "Para a integração sul-americana, o sinal é ambíguo. O Peru fortalece sua capacidade nacional, mas se vincula mais a uma potência externa do que a uma arquitetura regional de defesa. Isso pode ampliar sua capacidade, mas também reduzir incentivos para uma soberania regional compartilhada", conclui.
Por Sputnik Brasil