Presidente do Equador acusa entrada de guerrilheiros colombianos pelo norte
Daniel Noboa responsabiliza governo Petro por incursão e agrava crise diplomática entre Equador e Colômbia
O presidente do Equador, Daniel Noboa, afirmou nesta sexta-feira (29) que guerrilheiros colombianos entraram no país pela fronteira norte, supostamente incentivados pelo presidente colombiano, Gustavo Petro.
"Diversas fontes nos informaram sobre uma incursão de guerrilheiros colombianos pela fronteira norte, impulsionada pelo governo Petro", declarou Noboa em sua conta na rede social X. "Presidente Petro, concentre-se em melhorar a vida do seu povo em vez de tentar exportar problemas para os países vizinhos", acrescentou.
O novo episódio acirra a troca de acusações entre os dois líderes, que vêm protagonizando uma série de desentendimentos nas últimas semanas, impulsionados por uma guerra comercial bilateral. A tensão aumentou após Noboa impor tarifas sobre produtos colombianos, alegando que Bogotá não estaria colaborando suficientemente com a segurança na fronteira.
Segundo Noboa, as tarifas são uma "compensação" pelos investimentos equatorianos em segurança na região fronteiriça. Inicialmente fixada em 30%, a taxa subiu para 50% e, a partir de 1º de maio, chegará a 100%.
O Equador enfrenta atualmente a maior taxa de homicídios da América Latina, com 52 assassinatos por 100 mil habitantes, de acordo com o Observatório do Crime Organizado.
Como resposta, a Colômbia ingressou com uma ação contra o Equador por suposta violação das normas comerciais da Comunidade Andina.
No último dia 10 de abril, Noboa descartou qualquer acordo com Petro e afirmou que aguardará a formação de um novo governo após as eleições colombianas deste ano.
A crise diplomática se agravou em 16 de março, quando um ataque aéreo em território colombiano resultou em 27 corpos carbonizados. O presidente Petro acusou o governo equatoriano de ser responsável pela ação.
O incidente, ainda sob investigação, levou a pedidos de mediação internacional, incluindo um apelo direto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. "Nós não queremos guerra", afirmou Petro ao comentar o caso.
Pelo lado equatoriano, Noboa negou qualquer incursão militar em território colombiano e reforçou que as operações visam apenas grupos armados ligados ao narcotráfico dentro das fronteiras do Equador.
O governo de Quito reconheceu a realização de bombardeios, mas alegou que os alvos eram acampamentos de organizações criminosas.
Por Sputnik Brasil