ECONOMIA

BC aponta alta nas projeções de inflação e incerteza devido a conflito no Oriente Médio

Copom reduz Selic, mas alerta para aumento da inflação e instabilidade global causados por tensões geopolíticas

Publicado em 29/04/2026 às 19:32
Reprodução

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central destacou, nesta quarta-feira (29), que o conflito no Oriente Médio elevou tanto as projeções de inflação quanto a incerteza em torno dessas estimativas. Apesar do cenário, o colegiado avaliou que ainda há espaço para seguir "calibrando" a taxa Selic, diante de sinais de que a manutenção dos juros em patamar contracionista já provocou desaceleração na economia brasileira.

"Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados", afirma o comunicado divulgado pelo Copom.

Como era esperado pela maior parte do mercado, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 14,75% para 14,50%, no segundo corte consecutivo dos juros. A decisão foi tomada mesmo com o aumento de 0,2 ponto percentual na projeção de inflação para o fim de 2027, que passou de 3,3% para 3,5%. A partir desta reunião, o quarto trimestre do ano que vem passa a ser o horizonte relevante para a política monetária.

O comitê ressaltou que considerou "apropriado dar sequência ao ciclo de calibração" dos juros, pois há evidências de que a taxa de juros em nível contracionista — mantida em 15% durante quase todo o ano de 2025 — contribuiu para a desaceleração da atividade econômica. Segundo o Copom, isso permite ajustar o "ritmo e extensão" do processo de calibração, conforme novas informações, para garantir um juro compatível com a convergência do IPCA à meta.

Ambiente externo

O Copom também enfatizou que o ambiente externo segue incerto, devido à indefinição sobre a duração, extensão e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, que impactam as condições financeiras globais.

"Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", alertou o colegiado.