INVESTIGAÇÃO POLICIAL

Professor de jiu-jitsu e policial Melqui Galvão é preso por suspeita de abuso sexual

Instrutor é investigado por supostos crimes contra alunas; entidades esportivas anunciam banimento

Publicado em 29/04/2026 às 17:25
Melqui Galvão

O professor de jiu-jitsu e policial civil Melqui Galvão foi preso temporariamente na noite de segunda-feira (27), em Manaus (AM), sob suspeita de abuso sexual contra três alunas. A investigação é conduzida pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Paulo, e o processo tramita em sigilo na Justiça paulista. A reportagem segue tentando contato com a defesa do instrutor.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a Polícia Civil ouviu os pais das vítimas, que apresentaram uma gravação na qual o suspeito admite o crime de forma indireta. Também foram entregues mensagens trocadas com o investigado, nas quais há indícios de prática criminosa, conforme informou a secretaria.

"Diante dos fatos, a delegada solicitou a prisão temporária do suspeito, que foi deferida pela Justiça. Também foram expedidos mandados de busca e apreensão, devidamente cumpridos pela equipe da 8ª DDM", informou a SSP-SP.

Melqui Galvão é responsável por academias e equipes de alto rendimento no jiu-jitsu, além de ser servidor efetivo da Polícia Civil do Amazonas. Atualmente, estava lotado no setor de capacitação da corporação, atuando como instrutor de defesa pessoal.

Em razão da gravidade dos fatos, Melqui Galvão foi afastado cautelarmente das funções policiais até a conclusão das investigações. A Polícia Civil do Amazonas também instaurou apuração sobre a regularidade do vínculo funcional e eventuais incompatibilidades no exercício de atividades fora do estado. O caso é acompanhado pela Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública amazonense.

"A Polícia Civil do Amazonas reforça que não compactua com qualquer tipo de irregularidade ou desvio de conduta, reiterando seu compromisso com a legalidade, a ética e a transparência", destacou a corporação.

Em nota, o filho de Melqui, o campeão mundial de jiu-jitsu Mica Galvão, que assumiu o comando das academias e equipes, afirmou que sua gratidão e amor pelo pai permanecem, mas espera que "os fatos sejam investigados com seriedade e que a Justiça cumpra seu papel".

"Como pessoa, repudio qualquer forma de assédio ou violência contra mulheres e crianças, esse é um valor que carrego e que não abro exceção. Não tenho respostas para tudo agora. Estou processando isso como filho, como atleta e como ser humano", declarou Mica.

Entidades esportivas anunciam banimento

Na terça-feira (28), a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) e a International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF) anunciaram, em nota, o banimento definitivo de Melqui Galvão de seus quadros. Ele está proibido de participar de eventos e atividades promovidas pelas entidades, que manifestaram "profunda indignação" diante dos fatos investigados.

"Tais ações são inaceitáveis e violam os princípios éticos mais basilares do esporte", afirmaram. "A CBJJ e a IBJJF repudiam comportamentos que violem a integridade e a segurança de praticantes do esporte, especialmente quando as vítimas são crianças e adolescentes."

O comunicado também elogiou "os atletas que tiveram a coragem de expor as situações de violência sofridas, permitindo que outras vítimas se sintam encorajadas a denunciar seus algozes".