ENERGIA

Em meio a retração no mercado, setor de energia solar supera R$ 300 bilhões em investimentos acumulados no Brasil

Segundo mapeamento da ABSOLAR, fonte fotovoltaica foi responsável pela criação de mais 2 milhões de empregos verdes na última década no País

Por Thiago Nassa Publicado em 29/04/2026 às 10:29
Em meio a retração no mercado, setor de energia solar supera R$ 300 bilhões em investimentos acumulados no Brasil Divulgação

Abril de 2026 – Os investimentos acumulados em energia solar acabam de superar a marca de R$ 300 bilhões no Brasil, incluindo as grandes usinas e os pequenos e médios sistemas de geração própria, segundo mapeamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR). De acordo com a entidade, na última década, o setor fotovoltaico foi responsável pela criação de mais 2 milhões de empregos verdes.
 
O setor fotovoltaico possui mais de 68,6 gigawatts (GW) em operação no Brasil e já garantiu mais de R$ 95,9 bilhões em arrecadação aos cofres públicos. Atualmente, a solar é a segunda fonte na matriz elétrica brasileira, representando cerca de 25,3% do total.
 
O resultado acontece em meio a desaceleração dos projetos no País, tanto nas grandes usinas quanto nos pequenos sistemas de geração própria. Somente em 2025, a retração foi da ordem de 25,6% na potência adicionada, com 11,6 gigawatts (GW) registrados em 2025, ante os 15,6 GW verificados no ano anterior.
 
Entre as razões desta baixa no mercado, estão os cortes de usinas renováveis sem o devido ressarcimento aos empreendedores prejudicados e os obstáculos de conexão nos pequenos sistemas dos consumidores, sob a alegação de incapacidade das redes e inversão de fluxo de potência.
 
Segundo a entidade, a tecnologia fotovoltaica está presente em todas as regiões do País com as usinas de grande porte e em mais de 5 mil munícipios com a geração própria em telhados e pequenos terrenos.
 
Na geração solar centralizada, Minas Gerais lidera o ranking estadual, com 8,6 GW de capacidade instalada, seguida pela Bahia, com 2,9 GW, e Piauí, com 2,4 GW. Já na geração distribuída fotovoltaica, o estado de São Paulo figura na frente, com 6,5 GW, seguido por Minas Gerias, com 5,8 GW, e Paraná, com 4,2 GW.
 
Na avaliação da ABSOLAR, o avanço da economia verde no Brasil poderia ser ainda mais robusto, não fossem os desafios enfrentados pelo setor fotovoltaico ao longo do último ano, que resultaram no fechamento de empresas, cancelamento de investimentos e redução de postos de trabalho. “Na prática, esses entraves limitaram o potencial de crescimento de um setor estratégico para a transição energética do País”, afirma Rodrigo Sauaia, CEO da entidade.
 
Na mesma linha, Barbara Rubim, presidente eleita do Conselho de Administração da ABSOLAR para o período de 2026 a 2030, destaca que a prioridade da associação será direcionar esforços para uma expansão sustentável e equilibrada da energia solar no Brasil. Entre as frentes de atuação, estão o estímulo a um ambiente regulatório mais eficiente, o fortalecimento do mercado livre de energia e o desenvolvimento de sinais de preço mais claros ao consumidor, além do incentivo a tecnologias complementares, como armazenamento de energia, data centers, hidrogênio verde e eletromobilidade. “A aceleração da transição energética brasileira passa, necessariamente, por mais inovação, sustentabilidade e modernização regulatória”, conclui.
 
Sobre a ABSOLAR
 
Fundada em 2013, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) é a entidade do Brasil que reúne todos os elos da cadeia de valor da fonte solar fotovoltaica e demais tecnologias limpas, incluindo armazenamento de energia elétrica e hidrogênio verde. Com associados nacionais e internacionais, de todos os portes, a entidade é fonte de informação e articulação em prol da transição energética sustentável do Brasil.