ECONOMIA

Confiança de Serviços recua pelo terceiro mês consecutivo em abril, aponta FGV

Índice cai 0,6 ponto e atinge 87,8 pontos, refletindo impacto de juros altos, endividamento das famílias e cenário externo adverso.

Publicado em 29/04/2026 às 08:47
Confiança de Serviços

O Índice de Confiança de Serviços (ICS) registrou queda de 0,6 ponto em abril em relação a março, marcando o terceiro recuo consecutivo e atingindo 87,8 pontos na série dessa zonalizada, segundo dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Em média móveis trimestrais, a retração foi de 1,0 ponto.

"A confiança do setor de serviços caiu pelo terceiro mês seguido, mas com mudança na composição. Nos meses anteriores, a queda foi explicada exclusivamente pelo componente de expectativas, e parcialmente compensada por uma avaliação positiva da demanda atual. Em abril, a piora se disseminou pelos dois componentes, indicando que o ambiente adverso pode estar começando a se refletir também na evolução da atividade atual", avaliou Rodolpho Tobler, economista do Ibre/FGV, em nota oficial.

O Índice de Situação Atual (ISA-S) recuou 0,4 ponto, para 92,1 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE-S) caiu 0,7 ponto, para 83,7 pontos.

Tobler acrescentou: “O endividamento das famílias em níveis recordes e os juros ainda restritivos já pesavam sobre a confiança, e isso se soma a turbulência externa, com o conflito no Oriente Médio pressiona a inflação e adiando a perspectiva de rompimento de juros, o que reduz as chances de recuperação da confiança no curto prazo.”

No ISA-S, o indicador de volume de demanda atual recuperou 2,6 pontos, para 92,2 pontos, enquanto o indicador de situação atual dos negócios avançou 1,7 ponto, para 91,9 pontos. Já no IE-S, a demanda prevista para os próximos três meses caiu 1,5 ponto, para 84,5 pontos, e a tendência dos negócios nos próximos seis meses ficou praticamente estável, com alta de 0,2 ponto, para 83,1 pontos.

O relatório também destaca sinais de perda de tração no mercado de trabalho do setor. Em abril, o Indicador de Emprego Previsto interrompeu uma trajetória de avanço dos meses anteriores, com piora avançada pelos segmentos de Informação e Comunicação e Serviços Profissionais. Segundo Tobler, “o recuo nas intenções de contratar esses segmentos sugere que a incerteza do ambiente atual começa a pesar também sobre as decisões de pessoal”.

A recolha dos dados foi realizada entre os dias 1º e 27 de abril.