Esquema de fraude em concurso da Polícia Federal também tinha base em Alagoas, revela MPF
Operações 'Última Fase' e 'Concorrência Simulada' identificam organização criminosa que cobrava até R$ 280 mil por gabaritos; dez pessoas foram denunciadas
O Ministério Público Federal (MPF) apresentou a primeira denúncia criminal decorrente das investigações que desmantelaram um sofisticado esquema de fraude em concursos públicos. O foco da ação penal é o certame da Polícia Federal de 2025, onde foi identificada uma organização criminosa com núcleos operacionais estratégicos em Alagoas, Paraíba e Pernambuco.
Ao todo, dez pessoas foram denunciadas por integrar ou colaborar com o grupo. A estrutura era dividida em núcleos de gestão, execução e beneficiários, funcionando como uma verdadeira "empresa do crime" voltada para a manipulação de certames de alto nível em diferentes estados do Nordeste.
Modus Operandi: Tecnologia e Infiltração
As investigações das operações Última Fase e Concorrência Simulada detalham que o grupo não agia de forma amadora. O esquema para o cargo de Delegado da Polícia Federal, ocorrido em julho de 2025, envolvia:
Captação: Abordagem de candidatos dispostos a pagar altas cifras.
Infiltração: Pessoas eram designadas apenas para fotografar as provas dentro das salas.
Transmissão: Envio das imagens em tempo real para especialistas de prontidão.
Logística: Distribuição dos gabaritos aos clientes mediante pagamentos que ultrapassavam R$ 280 mil.
Conexão Alagoas e Quebra de Acordos
O núcleo alagoano era peça-chave na logística e movimentação financeira do grupo. O MPF identificou movimentações bancárias atípicas e trocas de mensagens que confirmam a participação direta de colaboradores residentes no estado e em regiões vizinhas.
Além da denúncia, o Ministério Público Federal solicitou a revogação dos benefícios de colaboração premiada de dois envolvidos. Segundo o órgão, ambos descumpriram o acordo ao omitirem informações cruciais e continuarem a praticar ilícitos mesmo após a assinatura do pacto com a justiça.
"A organização seguia uma lógica comercial rigorosa, onde o valor da fraude era calculado com base no salário inicial do cargo pretendido", destaca o texto da denúncia.
Penalidades
Os acusados responderão por uma série de crimes graves, incluindo:
Organização criminosa e lavagem de dinheiro;
Fraude em certame de interesse público;
Corrupção ativa e passiva;
Falsidade documental e embaraço à investigação.
O MPF requer agora a responsabilização criminal imediata, o ressarcimento aos cofres públicos pelos danos causados e a aplicação rigorosa das penas previstas em lei.