VIOLÊNCIA DE GÊNERO

UFPR apura denúncias de grupo suspeito de planejar estupros e promover 'bolão' entre estudantes

Universidade Federal do Paraná investiga ameaças contra alunas e aposta criminosa; polícia já foi acionada e medidas de proteção foram adotadas

Publicado em 28/04/2026 às 19:17
Reprodução / UFPR

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) está apurando denúncias sobre um suposto grupo que teria planejado ataques contra mulheres e promovido um 'bolão' para apostar quem conseguiria cometer estupros. O caso veio à tona após uma estudante de Medicina relatar ameaças recebidas por mensagens.

Segundo comunicado do Diretório Acadêmico Nilo Cairo (Danc), do curso de Medicina, a aluna estaria sendo perseguida e ameaçada por contatos via WhatsApp. "Através de mensagens, foi revelado que os autores tentariam fazer um ataque a ela nos últimos dias", informou o Danc. Ainda de acordo com o diretório, os suspeitos fariam parte de um grupo organizado de homens que estaria planejando violentar a estudante e outras mulheres da universidade.

O Danc informou que a polícia foi acionada e que uma investigação está em andamento para identificar e localizar os suspeitos. Por orientação das autoridades, o diretório emitiu um alerta à comunidade acadêmica, recomendando que alunas redobrem a atenção ao circular em áreas como o Centro Politécnico, a reitoria e festas universitárias.

"Meninas, evitem andar desacompanhadas. Meninos, é responsabilidade de todos manter a vigilância nos seus grupos de amigos e denunciar, assim que virem, todas as mensagens que incentivem qualquer tipo de violência contra a mulher. Somente assim é possível criar um ambiente mais seguro para todos", orientou o Danc.

O diretório também destacou que o suposto vínculo dos autores com a UFPR ainda não foi confirmado, já que os contatos ocorreram por número desconhecido e perfil anônimo.

Em nota, a UFPR informou que acompanha o caso desde o dia 16 e que adotou medidas para acolher a vítima e orientar os encaminhamentos formais. A universidade acionou setores internos de apoio, como a Ouvidoria da Mulher, e iniciou uma investigação preliminar por meio da Corregedoria para apurar a responsabilidade de integrantes da instituição.

A UFPR também comunicou o caso à Polícia Civil e solicitou apoio à Secretaria de Segurança Pública do Paraná. Caso haja indícios de crime federal, a Polícia Federal poderá ser acionada. Segundo a Polícia Civil, o inquérito policial já foi instaurado e as investigações seguem em andamento.

Na manhã desta segunda-feira, 27, representantes do diretório acadêmico se reuniram com a Reitoria para discutir o caso. O reitor Marcos Sunye afirmou que o combate à violência de gênero é prioridade da gestão e que todas as denúncias estão sendo tratadas com seriedade.

"Temos tomado diversas medidas para combater o assédio, a violência e o feminicídio. Isso é uma prioridade da nossa gestão. Todas as denúncias de assédio e violência recebidas têm tido sequência, e todas as providências serão tomadas com seriedade, segurança e respeito aos procedimentos formais", ressaltou o reitor.