CRISE NO SISTEMA FINANCEIRO

Governadora do DF pedirá ajuda excepcional a Lula para cobrir rombo do Master no BRB

Celina Leão busca apoio do governo federal para salvar o Banco de Brasília, que enfrenta déficit bilionário após operações fraudulentas.

Publicado em 28/04/2026 às 16:54
Celina Leão Reprodução

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), anunciou que solicitará oficialmente ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma ajuda excepcional para cobrir o rombo deixado pelo Banco Master no Banco de Brasília (BRB). O DF pretende obter apoio do Tesouro Nacional para viabilizar um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e injetar recursos no BRB. No entanto, o Distrito Federal não possui capacidade de pagamento suficiente para operações garantidas pela União.

Para obter garantias do Tesouro Nacional em operações de crédito, estados e municípios precisam apresentar notas de capacidade de pagamento (CAPAG) entre A e B. Atualmente, o DF possui nota C, o que é exigido.

“O Governo do Distrito Federal informa que a governadora Celina Leão irá encaminhar ao Tesouro Nacional ofício solicitando aval do governo federal para avançar nas tratativas relacionadas a uma operação junto ao Fundo Garantidor de Créditos”, diz nota oficial do governo distrital. "A iniciativa integra as medidas que vêm sendo conduzidas com transparência, responsabilidade e diálogo institucional para garantir a estabilidade do BRB. O documento está em fase final de formalização."

O BRB enfrentou um déficit estimado em R$ 8,8 bilhões após operações fraudulentas com o Banco Master. O governo do DF, controlador do banco, precisa aportar recursos para salvar a instituição, que deixou de publicar o balanço de 2025 dentro do prazo legal, encerrado em 30 de março, e busca resolver a situação até o fim de maio.

O ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) já solicitou um empréstimo de R$ 4 bilhões ao FGC, sem obter resposta. Segundo apuração do Estadão, o fundo só pretende ajudar o BRB se outros bancos integrarem um consórcio. Integrantes do banco afirmam que, para manter as operações, o BRB precisa de pelo menos R$ 6,6 bilhões em novos recursos.

Além do aval da União, Celina Leão também pretende pedir a Lula que intervenha junto à Caixa e ao Banco do Brasil para que adquira ativos do BRB e auxilie na contenção da crise de liquidez, agravada pelo Caso Master. O banco anunciou um acordo para vender R$ 15 bilhões em ativos originários do Banco Master, mas o sucesso da operação ainda é incerto.

Em entrevista ao Estadão na semana passada, Celina declarou que já não contava com o apoio do governo federal para socorrer o BRB. “Se dependermos de algum banco público comandado pelo governo federal, já teríamos fechado as portas do BRB”, afirmou. Os técnicos do governo local avaliam que não há disponibilidade de recursos próprios para transporte no banco neste momento.

A aproximação de Celina com o governo federal ocorre após críticas e episódios de antagonismo com Lula. Na mesma entrevista, ela afirmou que o “escândalo do Caso Master está dentro do coração do PT no Planalto”.

Em evento de entrega de viaturas à Polícia Militar, Celina evitou mencionar o número “13”, associado ao PT, preferindo dizer que entregava “12 mais 1” patrulhas. Posteriormente, declarou que o governo Lula não demonstrou “boa vontade” para ajudar o DF.

Paralelamente à tentativa de salvar o banco público, a gestão distrital também revisa contratos e implementa cortes de gastos para preservar a Caixa do DF.

O governo busca ainda antecipar R$ 52 bilhões em créditos inscritos na dívida ativa, por meio da venda desses papéis no mercado financeiro. Contudo, a operação enfrenta restrições: os recursos só podem ser destinados à previdência e aos investimentos, não sendo permitidos para transporte no BRB, além de não haver previsão de valores ou prazos para a captação.