TECNOLOGIA

Tecnologia redesenha logística e gestão operacional na construção e eleva eficiência nas obras

Digitalização da cadeia de suprimentos, rastreabilidade e integração de dados passam a influenciar prazos, custos e competitividade das empresas do setor

Por Assessoria Publicado em 28/04/2026 às 15:45
Magnus Bruno Oyama Machado Divulgação

A digitalização começa a transformar de forma consistente a logística e a gestão operacional na construção civil. Dados recentes da McKinsey indicam que o setor ainda apresenta ganhos de produtividade inferiores a 1% ao ano, bem abaixo de outras indústrias, enquanto a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta crescimento entre 2,5% e 3%, impulsionado por obras de infraestrutura. 

Esse descompasso entre crescimento e eficiência aumenta a pressão por controle de processos, redução de desperdícios e maior previsibilidade operacional.

Para Magnus Bruno Oyama Machado, engenheiro civil, cofundador da Mafrei Construtora e Incorporadora e responsável pela gestão de operações e suprimentos na Mafrei Materiais de Construção, a transformação já começou dentro das empresas que dependem de logística estruturada e controle operacional. “A construção sempre conviveu com processos fragmentados. A tecnologia permite integrar informações, reduzir erros e dar previsibilidade a uma operação que historicamente foi pouco controlada”, afirma.

Na prática, a digitalização já avança sobre diferentes etapas da cadeia. Sistemas de gestão de estoque, como WMS, começam a substituir controles manuais e ampliam a rastreabilidade dos materiais. 

Em um dos projetos liderados pelo executivo, a implantação desse tipo de tecnologia elevou a acuracidade de estoque para 90% e reduziu em cerca de 30% o tempo de separação de pedidos, além de diminuir falhas operacionais. Esse ganho de controle sobre materiais e processos impacta diretamente o ritmo das obras, reduzindo retrabalho e eliminando gargalos operacionais.

Além disso, soluções de monitoramento de frota e roteirização automática passam a ser incorporadas em operações que buscam maior controle logístico. Com geolocalização, registro digital de entregas e dashboards de desempenho, é possível acompanhar, em tempo real, a movimentação de materiais e a performance logística. 

Testes iniciais apontam potencial de redução de até 12% no consumo de combustível e de até 30% nos erros de entrega, ao integrar dados de estoque, transporte e operação. “O impacto não é apenas operacional. Com dados confiáveis, a empresa passa a ter mais previsibilidade e consegue escalar a operação com mais segurança”, diz. 

A integração também avança na estrutura física das empresas. A criação de centros de distribuição centralizados, estruturados a partir da reorganização logística da operação, permite unificar estoques, otimizar rotas e reduzir perdas ao longo da cadeia. Esse modelo melhora a velocidade de reposição, reduz rupturas e cria base para expansão sustentável, com ganhos em eficiência e controle.

Nesse contexto, a logística deixa de atuar apenas como suporte e passa a exercer papel central na eficiência e no controle das operações.

Apesar dos avanços, a adoção ainda exige planejamento. “Não adianta implantar tecnologia sem redesenhar processos. Muitas empresas investem em sistemas, mas mantêm a lógica operacional anterior, e aí o ganho não aparece”, afirma. 

Outro ponto de atenção está na escolha de fornecedores. Empresas especializadas em logística e tecnologia precisam oferecer integração entre sistemas, suporte técnico e capacidade de adaptação à realidade da construção. “A tecnologia precisa conversar com a operação. Se não houver integração entre estoque, entrega e obra, o sistema vira apenas custo”, diz.

A tendência é que a digitalização deixe de ser opcional e passe a atuar como diferencial competitivo. Empresas que conseguem estruturar processos, integrar dados e organizar a operação logística tendem a ganhar velocidade, margem e previsibilidade em um setor historicamente pressionado por custos e prazos.

Com base em sua experiência na estruturação logística e gestão operacional, Magnus destaca cinco práticas consideradas críticas para empresas que buscam maior eficiência logística e redução de erros:

  • Mapear processos antes de digitalizar
    Identificar gargalos, retrabalhos e falhas operacionais permite que a tecnologia seja aplicada com foco em resultado, e não apenas como substituição de tarefas.
  • Integrar sistemas e dados
    Soluções isoladas geram inconsistência. A conexão entre estoque, transporte e obra garante rastreabilidade e tomada de decisões mais assertivas.
  • Investir em rastreamento e visibilidade
    Monitoramento de entregas e frota reduz atrasos, melhora a previsibilidade e aumenta a confiança do cliente no processo.
  • Padronizar rotinas operacionais
    A tecnologia funciona melhor quando há processos claros. Checklists, fluxos definidos e indicadores ajudam a reduzir erros e aumentar produtividade.
  • Escolher fornecedores com experiência no setor
    Empresas que entendem a dinâmica da construção conseguem adaptar soluções e evitar falhas na implementação.

“A tecnologia não substitui a gestão, mas potencializa o resultado de quem já tem processos bem estruturados e gestão organizada. Quem fizer isso antes tende a sair na frente”, conclui.