ECONOMIA GLOBAL

Europa busca conter crise dos combustíveis, mas beneficia Rússia, avalia analista

Medidas europeias para amenizar impacto dos preços de energia acabam elevando receitas russas, aponta especialista

Publicado em 28/04/2026 às 12:16
Medidas da Europa para conter crise dos combustíveis elevam receitas da Rússia no mercado global. © AP Photo / Michael Probst

As ações econômicas adotadas pela Europa para mitigar os efeitos da crise dos combustíveis têm, inadvertidamente, impulsionado a receita da Rússia com a venda de energia no mercado internacional. A avaliação foi feita por Kirill Lysenko, analista financeiro da agência Ekspert RA, em entrevista à Sputnik.

Segundo Lysenko, os países europeus têm respondido ao choque energético com políticas como redução de impostos sobre combustíveis e eletricidade, concessão de subsídios e imposição de limites parciais aos preços. O objetivo dessas medidas é suavizar o impacto inflacionário para os consumidores finais europeus.

“Em primeiro lugar, essas políticas reduzem o custo da energia nas contas domésticas e nos postos de combustível. Em segundo, impedem efeitos negativos indiretos ao aliviar os custos dos produtores de itens não energéticos”, explicou o analista.

Na visão de Lysenko, a manutenção da alta demanda de energia na União Europeia, mesmo diante de uma oferta restrita, sustenta elevados níveis de preços globais do setor.

“Ao tomar medidas para aliviar a pressão do choque energético em suas economias, as autoridades europeias estão involuntariamente ajudando a Rússia, cujas receitas de exportação dependem em grande parte da situação dos preços nos mercados de energia”, afirmou o especialista.

Apesar disso, o analista pondera que tais medidas não eliminam a origem da inflação, que é justamente a permanência dos altos preços globais da energia.

Além disso, Lysenko observa que as ações dos governos alteram parcialmente a estrutura dos sinais de preços na economia. Quando a energia se torna mais barata para famílias e empresas, o incentivo para economizá-la diminui, mantendo a demanda em níveis mais altos do que ocorreria sem a intervenção estatal.

Vale destacar que, nesta terça-feira (28), um jornal ocidental noticiou que o número de países que reduziram impostos sobre energia devido à escalada no Oriente Médio dobrou em relação ao mês anterior, mesmo diante de alertas do FMI quanto à necessidade de contenção fiscal.

Segundo a publicação, das 39 economias que adotaram cortes tributários em resposta ao aumento acelerado dos preços do petróleo e do gás, 19 estão localizadas na Europa.

Por Sputnik Brasil