Depósito de balas de canhão medievais é encontrado durante escavação na Bélgica
Descoberta inclui munição de pedra de diferentes tamanhos e projétil da Primeira Guerra Mundial em área histórica de Nieuwpoort
Durante as obras de construção de um novo prédio administrativo em Nieuwpoort, na Bélgica, arqueólogos localizaram um depósito de balas de canhão feitas de pedra natural, vestígios de construções medievais e até um projétil da Primeira Guerra Mundial, segundo informações do portal Arkeonews.
As balas de canhão, de formato redondo, apresentam diferentes tamanhos e foram agrupadas conforme o diâmetro, o que indica que os artesãos militares da Idade Média já produziam munições padronizadas.
"Munição padronizada indica planejamento, armazenamento e organização militar. As diferenças de tamanho também sugerem a existência de um arsenal misto na cidade, adaptado para diversos tipos de armas", destaca a publicação.

Especialistas explicam que esse tipo de projétil foi utilizado na Europa entre cerca de 1350 e 1600, período de transição das antigas máquinas de sítio mecânicas para a artilharia de pólvora. As bolas de pedra podiam ser lançadas por canhões primitivos, catapultas ou trabucos.
Os arqueólogos ainda buscam entender por que tantas balas foram depositadas juntas no mesmo local. Uma hipótese é reforçada pelo fato de o achado ter ocorrido onde ficava a muralha sul da cidade na Idade Média.
O mapa de Antonius Sanderus, datado de 1641, mostra um canhão posicionado na área da muralha, próximo à atual zona de escavação. Embora não comprove ligação direta com o depósito recém-descoberto, o registro oferece uma pista histórica relevante para os pesquisadores.
Durante as escavações, também foi encontrado um projétil não detonado da Primeira Guerra Mundial. O serviço belga de descarte de artefatos explosivos foi chamado para neutralizar e remover a munição com segurança.
De acordo com os arqueólogos, esses achados sugerem que Nieuwpoort teve grande importância militar tanto na Idade Média quanto no início do século XX.
Por Sputnik Brasil