APROVAÇÃO NO SENADO

Base do governo prevê votação apertada para Messias no STF sob pressão no Senado

Articulações intensificam negociações por cargos e emendas para garantir nomeação de Jorge Messias ao Supremo.

Publicado em 28/04/2026 às 12:01
Base governista articula apoio a Messias para o STF em meio à pressão e disputa no Senado. © Foto / Marcelo Camargo / Agência Brasil

O governo Lula intensificou as articulações para garantir a aprovação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), diante da resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A estratégia inclui negociações envolvendo cargos em agências reguladoras e a liberação de emendas RP2, numa tentativa de melhorar o ambiente político antes da votação decisiva.

Segundo a Folha de S.Paulo, a ofensiva é capitaneada por José Guimarães, novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, que busca reaproximação com Alcolumbre. Apesar de ter reduzido ações explícitas contra Messias, o senador permanece desconfortável pelo fato de Lula não ter indicado Rodrigo Pacheco ao STF.

Guimarães e Alcolumbre têm conversado sobre a divisão de vagas em órgãos como Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Agência Nacional de Mineração (ANM) e Serviço Geológico do Brasil. Paralelamente, parlamentares relatam aumento no empenho de verbas extras para atender bases eleitorais e melhorar o clima no Senado.

O governo tenta viabilizar um encontro entre Messias e Alcolumbre, considerado um gesto simbólico para consolidar votos. Pacheco, embora preterido, não atua contra o indicado e mantém alinhamento com o Planalto, mirando sua candidatura ao governo de Minas Gerais.

A base governista chegou a projetar até 48 votos favoráveis a Messias, mas identificou desmobilização nos últimos dias. Ainda assim, calcula ao menos 45 votos — acima dos 41 necessários para aprovação. Alcolumbre, segundo aliados, não tem sido diretamente contemplado nas negociações, já que não atua em favor da indicação.

A oposição, liderada por PL, Novo e Avante, tenta barrar Messias para desgastar o governo, reduzindo o apelo do indicado junto ao eleitorado evangélico. Parte da frente evangélica também se posicionou contra a indicação, embora nomes como Eliziane Gama e Dra. Eudócia apoiem o atual advogado-geral da União (AGU).

O cenário alimenta a aposta de senadores bolsonaristas em uma possível rejeição, o que seria um revés histórico — a última negativa a um indicado ao STF ocorreu em 1894. Por isso, a votação é considerada de alto risco pelo Planalto.

Messias conta com o apoio do ministro André Mendonça, que também enfrentou resistência de Alcolumbre em sua indicação. Mendonça atua para reduzir a rejeição ao nome do AGU entre senadores conservadores, mantendo a disputa aberta.

Por Sputnik Brasil