Copom inicia análise de conjuntura para decisão sobre a Selic nesta terça-feira
Reunião do Banco Central avalia cenário econômico e mercado projeta novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros.
A primeira etapa da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) teve início às 10h05 desta terça-feira, 28, segundo informou o Banco Central (BC). Nesta fase inicial, o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, e os seis diretores acompanham apresentações técnicas do corpo funcional sobre o panorama econômico, que servirão de base para a decisão referente à taxa Selic. O resultado será divulgado nesta quarta-feira, 29, a partir das 18h30.
O mercado financeiro prevê que o Copom realize um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, reduzindo a taxa de 14,75% para 14,50% ao ano. Essa expectativa é compartilhada por 33 das 37 instituições consultadas pela Projeções Broadcast.
Diante do cenário internacional incerto, especialmente por conta do conflito no Oriente Médio, economistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, avaliam que o Copom deve manter um tom cauteloso em sua comunicação. A expectativa é de que o colegiado reforce a mensagem de que continuará calibrando os juros nas próximas reuniões, sem, no entanto, se comprometer com um ritmo específico de cortes.
Na decisão anterior, em 18 de março, o Copom já havia reduzido a Selic de 15% para 14,75% ao ano, marcando a primeira redução dos juros em quase dois anos. Na ocasião, o colegiado alertou para o aumento das incertezas no cenário econômico.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou em coletiva no dia 26 de março que o "conservadorismo" da autoridade investida ao longo de 2025 dará tempo para analisar o cenário e compreender os efeitos da alta do petróleo, decorrente do conflito, sobre os preços domésticos. “Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom”, declarou.
Desde o encontro de março, sob pressão inflacionária, o mercado vem ajustando as expectativas tanto para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) quanto para a trajetória dos juros.
A mediana do relatório Focus para o IPCA ao final de 2026 subiu de 4,10% para 4,86%, ultrapassando o teto da meta de 4,50%. As projeções para 2027 e 2028 também aumentaram, de 3,80% para 4% e de 3,50% para 3,61%, respectivamente. Esses números superam as projeções mais recentes do próprio Copom, que estimam 3,9% para o fim de 2026 e 3,3% para o terceiro trimestre de 2027, considerado o horizonte relevante da política monetária. No mesmo período, as medianas do Focus para a Selic também subiram, passando de 12,25% para 13,00% ao fim de 2026 e de 10,50% para 11,0% ao fim de 2027.
Por outro lado, o câmbio apresentou uma reclamação. Na reunião de março, a cotação do dólar foi utilizada como referência pelo comitê era de R$ 5,20. Agora, a expectativa é de queda para R$ 5,00.