Com 47% do mercado mundial, Valley aposta em irrigação conectada para dobrar a produtividade do campo brasileiro
Líder global em irrigação inteligente, a empresa mira o potencial inexplorado do Brasil, onde apenas 10% das áreas agrícolas são irrigadas
O Brasil é o maior exportador de soja e açúcar do planeta, o segundo em carne bovina e etanol, e o terceiro em milho e algodão. Ainda assim, irriga apenas 10% de suas áreas agrícolas, percentual muito inferior ao de países como China (51%), Índia (34%) e Estados Unidos (17%).
Para a Valley, marca da Valmont Industries que em 2026 completa 80 anos de história, esse gap é também a maior oportunidade de crescimento da agricultura brasileira na próxima década. "A irrigação é a alavanca de produtividade mais subutilizada no Brasil. Com ela, o produtor pode ampliar a produção de alimentos sem derrubar árvores e é exatamente para isso que trabalhamos há décadas", afirma Cristiano Del Nero, diretor-presidente da Valmont Brasil.
Os números do campo falam por si. Estudos comparativos entre áreas irrigadas e de sequeiro no Brasil mostram ganhos de até 100% na produtividade de frutas, 80% em pastagens, 71% em cereais e 70% no milho. Na soja, o incremento médio chega a 45%. A irrigação também permite que a mesma área produza mais de uma safra por ano. Dados recentes indicam que, com o uso do pivô central, a área efetiva de grãos do país pode saltar de 54 milhões para 83 milhões de hectares, sem ampliar o território plantado.
Para Del Nero, a irrigação vai além do aumento de produtividade. “Ela traz mais estabilidade à safra, reduz a diferença em relação ao sequeiro e dá ao produtor mais previsibilidade financeira. Em um cenário de clima desafiador, juros altos e margens apertadas, irrigar significa reduzir riscos, planejar com mais segurança e ter mais confiança na entrada do caixa. É nesse contexto que o pivô central, aliado às tecnologias da Valley, se torna estratégico para o produtor”, finaliza.
80 anos de Valmont Industries
A Valley não chegou ao topo do mercado global por acaso. Em 1946, Robert B. Daugherty investiu US$ 5 mil, praticamente todas as suas economias, em uma pequena operação industrial em Nebraska, nos Estados Unidos. Poucos anos depois, licenciou a patente de Frank Zybach para o primeiro pivô central e começou a transformar a irrigação mecanizada em tecnologia de escala mundial.
Em 1966, a empresa passou a se chamar Valmont Industries, nome que homenageia as cidades vizinhas de Valley e Fremont, em Nebraska. Hoje, o grupo está presente em mais de 100 países, com 84 fábricas, 31 marcas e faturamento anual de US$ 4,2 bilhões. A Valley, sua principal marca de irrigação, detém 47% dos pivôs centrais instalados no mundo, sendo 255 mil de um total de 548 mil equipamentos em operação global.
No Brasil, a empresa fabrica pivôs centrais, lineares e corners em Uberaba (MG), onde dobrou a capacidade produtiva em 2024. Conta com uma rede de distribuidores e cerca de 95 consultores agronômicos distribuídos por todas as regiões do país.
Irrigação conectada
Se a revolução do pivô central mecanizou a irrigação no século XX, a aposta da Valley para as próximas décadas é torná-la orientada por dados. A plataforma AgSense 365 permite ao produtor monitorar, programar e controlar seus pivôs remotamente em tempo real, via smartphone, integrando sensores de solo, dados climáticos e alertas operacionais em um único ambiente. O software Scheduling calcula recomendações de irrigação campo a campo, cruzando evapotranspiração, solo e meteorologia. Já o sistema Machine Diagnostics, integrado ao AgSense 365, monitora continuamente parâmetros como alinhamento do pivô, pressão dos pneus e horas de uso dos redutores, antecipando falhas e evitando paradas.
Na Agrishow 2026, a Valley apresenta ao mercado três lançamentos voltados à eficiência operacional: o painel ICON+, que conecta pivôs já instalados à plataforma digital sem necessidade de troca do painel original; o Machine Diagnostics; e o Redutor de Rodas VG252, opção de menor custo de entrada para novos irrigantes.
A população mundial deve superar 9,7 bilhões de habitantes até 2050, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). A demanda global por alimentos cresce na mesma direção, enquanto a disponibilidade de novas terras agrícolas se reduz. No Brasil, a produtividade do campo quadruplicou entre 1977 e 2023 — de 1 t/ha para 4 t/ha em grãos — com crescimento modesto de área, o que representa uma "poupança" de 230 milhões de hectares que não precisaram ser abertos. A irrigação foi, e continuará sendo, parte central dessa equação.