Dia do Trabalho: Mãe encontra no empreendedorismo um novo começo
Após quatro anos enfrentando dores intensas, diagnóstico incerto, crises de ansiedade e depressão, Raquel Camerino de Paulo encontrou um caminho para a recuperação com produtos artesanais personalizados
Para muitas pessoas, o trabalho é uma rotina. Para a paulistana Raquel Camerino de Paulo, 43 anos, ele foi essencial para sobreviver, emocional e fisicamente. Neste Dia do Trabalho, celebrado em 1º de maio, sua história mostra como a criatividade e o empreendedorismo podem se transformar em força para recomeçar.
Raquel começou a trabalhar cedo, aos 13 anos, passando por funções como panfletagem, fábrica de calçados, consultório odontológico, restaurante e padaria. Acostumada desde jovem à responsabilidade de ajudar nas despesas, manteve uma rotina intensa até a vida mudar drasticamente em 2019.
Foi nesse período que surgiram os primeiros sintomas de uma grave condição intestinal, marcada por dores constantes, inflamações e sucessivas internações. Sem diagnóstico definitivo e com poucas respostas médicas, ela enfrentou um quadro debilitante por cerca de quatro anos. “Os médicos diziam que não havia cura e que, se eu sobrevivesse, ficaria muito debilitada”, relembra.
As limitações físicas vieram acompanhadas de um forte impacto emocional. Raquel desenvolveu crises de ansiedade, insônia e depressão severa. Chegou a ficar acamada por longos períodos, sem forças para atividades básicas, além de se isolar da convivência e das redes sociais.
Mesmo diante do cenário mais difícil, encontrou apoio dentro de casa: o marido e o filho, Filipe, hoje com nove anos. Foi por ele que decidiu seguir em frente. “Eu sabia que precisava ficar. Ainda tinha muito a fazer”, conta.
O trabalho como ponto de virada
Foi nesse momento que o trabalho passou a ganhar um novo significado. Artesã, Raquel já produzia flores e painéis para eventos da igreja, mas buscava uma forma de aprimorar a produção e trabalhar em casa. Em meio às pesquisas, conheceu as máquinas de corte da Cricut.
O primeiro contato veio de forma inesperada, em uma chamada de vídeo com outra usuária da marca. Pouco tempo depois, na Black Friday, chegou a primeira máquina. Mesmo debilitada, passou a estudar o funcionamento ainda da cama. “Eu não tinha forças para levantar, mas tinha vontade de aprender. Aquilo me dava um propósito”, afirma.
Aos poucos, o trabalho se tornou parte essencial do processo de recuperação. Entre períodos de melhora, Raquel se dedicava ao aprendizado, explorando o aplicativo Design Space e testando novas criações. A atividade trouxe não apenas renda, mas motivação e perspectiva de futuro.
Com o tempo, a produção cresceu. Hoje, ela cria e comercializa itens personalizados como canecas, camisetas, bolsas, etiquetas, lembranças de festas e painéis decorativos. As vendas acontecem principalmente via WhatsApp e grupos locais, incluindo a igreja onde atua.
O que começou na mesa da cozinha evoluiu para um ateliê próprio dentro de casa, já em expansão. Atualmente, trabalha com diferentes equipamentos da marca, ampliando as possibilidades de criação e profissionalização do negócio.
Depois de anos de tratamento, Raquel celebra a recuperação da saúde e uma nova relação com o trabalho. “Aprendi a respeitar meus limites e a cuidar de mim, principalmente do emocional. Mas foi o trabalho que me tirou da cama, que me deu força para continuar”, afirma.
Além de produzir, Raquel também compartilha conhecimento e ajuda outras pessoas a empreenderem: ministra aulas online e presenciais e atua como mentora para quem deseja trabalhar com personalização.