INVESTIGAÇÃO POLICIAL

MP-RJ investiga possível envolvimento de outros policiais na morte de empresário no Rio

Órgão apura se superiores hierárquicos participaram da ação que resultou em 23 disparos contra Daniel Patrício na Pavuna.

Publicado em 27/04/2026 às 20:51
Daniel Patrício de Oliveira Reprodução

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) apura se outros policiais estariam envolvidos na morte do empresário Daniel Patrício Santos Oliveira, alvejado por diversos tiros na madrugada da última quarta-feira, 22, durante uma abordagem da Polícia Militar na Pavuna, zona norte da capital fluminense. Segundo familiares, Daniel foi atingido por 23 disparos.

No último domingo, 26, o caso ganhou destaque em reportagem exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo, que teve acesso às imagens das câmeras corporais de um dos dois policiais envolvidos. As gravações mostram que ambos monitoravam o carro de Daniel por mais de uma hora antes dos disparos. Em conversas telefônicas com uma terceira pessoa, um dos agentes utiliza os termos "chefe" e "comandante" para se referir ao interlocutor, o que pode indicar a participação de um oficial de patente superior.

Durante os diálogos, os policiais na viatura informam essa terceira pessoa sobre o monitoramento de Daniel. Os tiros ocorreram após as 3h da madrugada, mas as imagens indicam que os PMs já mencionavam a vítima desde 1h53.

Em nota, o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaesp/MP-RJ) afirma que busca "identificar eventuais irregularidades em relação aos protocolos operacionais e apurar a responsabilidade de todos os envolvidos, inclusive os que não estavam presentes na cena do crime".

O Gaesp acompanha o caso e as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e pela Corregedoria da Polícia Militar do Estado.

Na semana passada, após analisar as imagens das câmeras operacionais portáteis (COPs), o Comando da PM identificou indícios de homicídio doloso por parte dos policiais militares e determinou a prisão dos agentes. A defesa dos dois não foi localizada.

A reportagem questionou a Polícia Militar sobre os termos usados pelos agentes nas gravações – "chefe" e "comandante" –, mas a corporação, que apura o caso por meio da Corregedoria, não respondeu até o fechamento deste texto. A Polícia Civil informou que a Delegacia de Homicídio da Capital (DHC) está investigando a ocorrência.

Os vídeos exibidos pelo Fantástico também mostram o momento dos disparos contra o carro onde estavam Daniel e amigos. Os tiros são efetuados à distância, sem abordagem prévia antes de o policial militar abrir fogo.

Colegas do empresário, que sobreviveram ao ataque, saem do carro em estado de choque e questionam o policial sobre o motivo dos disparos, chegando a afirmar que Daniel foi atingido na cabeça.

Em diferentes momentos, um dos PMs afirma que o veículo das vítimas teria avançado contra a guarnição, justificando os tiros como legítima defesa. No entanto, as imagens das câmeras não mostram o carro acelerando em direção aos policiais.

Segundo o MP-RJ, o Gaesp enviou ofício à Polícia Militar solicitando a preservação das imagens das câmeras corporais dos agentes e da viatura envolvida, além de requisitar à Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública (Civitas), da Prefeitura do Rio de Janeiro, acesso às imagens da região onde ocorreu o crime.