ANÁLISE INTERNACIONAL

‘Continuidade de relações unilaterais’: os mecanismos do colonialismo contemporâneo

Especialistas explicam como potências mantêm influência global por meio de interferências políticas e econômicas, mesmo após a independência formal de ex-colônias.

Por Sputinik Brasil Publicado em 27/04/2026 às 19:11
‘Continuidade de relações unilaterais’: os mecanismos do colonialismo contemporâneo Ilustração de IA

Por meio de mecanismos muitas vezes indiretos, potências globais seguem exercendo influência sobre países mais vulneráveis, perpetuando formas de coerção que podem ser tanto explícitas quanto sutis.

O professor de história Eden Pereira explica que essas intervenções costumam ocorrer sob o pretexto de "modernizar" os países afetados e promover alinhamentos políticos favoráveis às potências. Ele cita como exemplos o golpe militar na Indonésia, em 1965, e na República do Congo, em 1960, ambos apoiados pelos Estados Unidos.

“São casos que aparecem no Terceiro Mundo e seguem um padrão político: uma relação dos Estados Unidos com instituições locais, além de envolvimento de outras potências europeias, especialmente França e Reino Unido”, detalha Pereira.

O analista político Gustavo de Andrade Durão destaca que as dinâmicas do neocolonialismo não são novas, mas se adaptam ao longo do tempo, mantendo padrões históricos de intervenção e influência. Segundo ele, mesmo após os processos de independência na África e o fim da Segunda Guerra Mundial, Estados Unidos e países europeus continuaram a atuar em diversas regiões do mundo para preservar relações assimétricas.

No contexto do ano eleitoral no Brasil, Durão analisa com cautela o impacto de possíveis interferências externas no cenário político nacional. Para ele, manifestações de apoio de lideranças estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos, podem provocar efeitos ambíguos. “Vimos que, em alguns casos, a influência externa pode gerar efeito contrário”, diz, citando exemplos recentes de outros países.

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