IMPACTO ECONÔMICO GLOBAL

Especialistas preveem novo aumento dos alimentos em 2027 devido ao conflito no Oriente Médio

Interrupção no fornecimento de energia e fertilizantes deve pressionar preços de alimentos nos próximos anos

Publicado em 27/04/2026 às 09:31
Conflito no Oriente Médio pode elevar preços dos alimentos em 2027 devido à falta de energia e fertilizantes. © AP Photo / Gregory Bull

Economistas alertam que os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado de alimentos deverão ser sentidos a partir de 2027, com impactos significativos na inflação global.

No momento, as consequências concentraram-se no mercado de energia, após a resposta do Irã à agressão dos EUA e de Israel, que resultou no fechamento do estreito de Ormuz. Essa medida interrompeu o fornecimento de 25% do combustível marítimo mundial e de quase um terço dos fertilizantes do mercado global.

A deficiência desses insumos afeta diretamente a indústria alimentícia, já que os produtores são deficientes de fertilizantes para as plantações e de combustível para o transporte dos produtos do campo até os mercados.

Além disso, muitos alimentos de embalagem e refrigeração para distribuição, o que amplia a pressão sobre toda a cadeia produtiva.

Especialistas em economia destacam que, embora os preços dos combustíveis já comecem a refletir o conflito, a inflação nos alimentos deverá aparecer de forma mais acentuada apenas no próximo ano.

Ken Foster e Bernard Dalheimer, professores da Universidade Purdue, preveem que alguns itens alimentícios poderão registrar aumentos entre 3% e 6% nos próximos 12 a 18 meses.

Segundo eles, o impacto imediato será sentido especialmente em alimentos que dependem de diesel para transporte. Outro grupo de produtos deve sofrer aumentos devido à alta dos preços dos fertilizantes, mas esse efeito não deve ocorrer em 2026, já que muitos produtos adquiriram estoques suficientes para este ano.

“Se o conflito persistir e começar a afetar os preços pagos pelos agricultores na safra de 2027, veremos os efeitos nos preços reais dos alimentos a partir do próximo ano”, explica Foster.

David Ortega, professor da Universidade Estadual de Chicago, compartilha opiniões semelhantes e ressalta que, ao contrário dos combustíveis, o impacto das interrupções no mercado de energia sobre os alimentos demora mais para atingir o consumidor final.

Por Sputinik Brasil