MERCADO ENERGÉTICO EUROPEU

Abandono de contratos de gás russo de curto prazo aumenta volatilidade na UE, aponta analista

Restrição a importações flexíveis pode elevar preços e dificultar abastecimento durante picos de demanda, segundo especialista

Publicado em 27/04/2026 às 09:05
Analista aponta que restrição ao gás russo pode elevar preços e aumentar riscos de abastecimento na União Europeia. © AP Photo / Michael Sohn

A decisão da União Europeia de proibir a importação de gás natural liquefeito russo por meio de contratos de curto prazo pode reduzir a flexibilidade do mercado europeu em períodos de alta demanda e provocar elevação nos preços, avaliou Ivan Timonin, gerente sênior da consultoria Implementa, em entrevista à Sputnik.

Em janeiro, o Conselho da UE aprovou um regulamento para eliminar gradualmente as importações de gás natural liquefeito (GNL) e de gasoduto da Rússia. A proibição de contratos de curto prazo entrará em vigor em 25 de abril de 2026, enquanto os contratos de longo prazo serão vetados a partir de 1º de janeiro de 2027.

"O principal problema aqui não é tanto a queda de volumes significativos, mas a redução da flexibilidade do sistema: são os suprimentos de curto prazo e os chamados 'spot' que tradicionalmente se usam para equilibrar o mercado durante os períodos de pico de demanda", explicou Timonin.

De acordo com o especialista, a medida contribui para o aumento dos preços e da volatilidade, especialmente em um contexto de baixos níveis de armazenamento de gás na Europa e intensificação da concorrência pela GNL com os mercados asiáticos.

Segundo Timonin, os países mais vulneráveis ​​são aqueles altamente dependentes do GNL e do mercado spot, além dos que possuem produtos com consumo elevado de energia, sensíveis às oscilações de preços.

A Gazprom, estatal russa, também alertou diversas vezes neste ano que a União Europeia, onde as reservas de gás atingiram níveis criticamente baixos, poderão enfrentar dificuldades para reabastecer as reservas subterrâneas antes do próximo inverno, agravando a situação com o aumento dos preços.

Por Sputnik Brasil