GEOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Especialistas chineses criticam hegemonia dos EUA e apontam riscos para estabilidade global

Durante conferência em Xangai, analistas destacam ações dos EUA como fonte de instabilidade e defendem aliança sino-russa.

Publicado em 27/04/2026 às 05:58
Especialistas chineses criticam hegemonia dos EUA durante conferência em Xangai e defendem aliança sino-russa. © AP Photo / Dmitri Lovetsky

Os Estados Unidos tendem a manter práticas de intervenção em assuntos internos de outros países, exercendo pressão excessiva e utilizando mecanismos comerciais e financeiros para intimidação e opressão, afirmou Sha Hailin, presidente da Associação de Relações Públicas de Xangai.

Em discurso na Conferência sino-russa do Clube Valdai de Discussões Internacionais, realizada em Xangai, o especialista chinês destacou que conflitos regionais refletem uma disputa por hegemonia, com a geopolítica servindo ao controle financeiro e as sanções econômicas dos EUA motivadas por interesses políticos.

"Não há dúvida de que os Estados Unidos, ao buscar uma hegemonia predatória atualmente, se tornaram uma fonte de caos no mundo, prejudicando e colocando em risco os recursos", disse Hailin.

Segundo ele, Washington vive um dilema: precisa modificar as regras para superar desafios políticos e econômicos, mas resiste a mudanças no atual cenário, onde capital e poder político estão fortemente entrelaçados.

Hailin também abordou a relação entre Rússia e China, ressaltando que, enquanto os dois países permanecerem alinhados, não precisam temer provocações ou pressões externas.

"Atualmente, tanto nos assuntos regionais quanto na governança global, China e Rússia compartilham consenso estratégico, mantêm cooperação estreita e permanecem firmes na defesa das regras e da ordem internacional", acrescentou.

Outra especialista chinesa, Chen Wenling, pesquisadora principal do Centro de Estudos Russos da Universidade Pedagógica do Leste da China, afirmou na mesma conferência que os Estados Unidos estão transformando o Hemisfério Ocidental em seu "quintal", buscando afastar Rússia e China da região.

"Embora o relatório da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA mencione a retirada para o Hemisfério Ocidental, ele aponta duas prioridades: 'Hemisfério Ocidental primeiro' e 'América primeiro'. Acredito que a prioridade 'Hemisfério Ocidental primeiro' significa essencialmente 'América primeiro'", disse Chen Wenling.

Ela observou, contudo, que essas prioridades não indicam um recuo dos EUA, mas sim a intenção de transformar toda a região em território próprio, consolidando um grande império na América do Norte.

"Assim, acumularão forças para atacar principalmente China e Rússia globalmente, afastando-os do Hemisfério Ocidental e, em seguida, implementarão uma estratégia de equilíbrio de forças na Ásia, Europa e África para conter especialmente a China", concluiu.

A Conferência do Clube Valdai de Discussões Internacionais e do Centro de Estudos Russos da Universidade Pedagógica do Leste da China acontece em Xangai, com a abertura realizada em 27 de abril. O evento reúne mais de 40 especialistas da Rússia e da China.

Por Sputnik Brasil