ASTRONOMIA

Telescópio James Webb identifica nuvens de gelo de água em exoplaneta gigante

Descoberta em Epsilon Indi Ab desafia modelos atuais sobre atmosferas de planetas gasosos

Por Sputnik Brasil Publicado em 26/04/2026 às 11:12
Ilustração do Telescópio James Webb detectando nuvens de gelo de água em exoplaneta semelhante a Júpiter. © Foto / ESA/Hubble, M. Kornmesser

Utilizando o Telescópio Espacial James Webb (JWST), os astrônomos detectaram nuvens de gelo de água na atmosfera do exoplaneta Epsilon Indi Ab, um frio super-Júpiter que desafia os modelos existentes das atmosferas de planetas gigantes.

Epsilon Indi A é uma estrela situada a cerca de 12 anos-luz da Terra, na constelação austral do Índio. Também chamada de HD 209100, a estrela tem entre 3,7 bilhões e 5,7 bilhões de anos, segunda informações do Sci.News.

Menos massivo e ligeiramente menos quente que o Sol, Epsilon Indi A é orbitado por um exoplaneta gasoso gigante, cuja massa supera várias vezes a de Júpiter.

O exoplaneta, batizado de Epsilon Indi Ab, apresenta temperatura superficial entre 200 e 300 K (aproximadamente -70 °C a 20 °C).

"Este planeta tem uma massa consideravelmente maior do que Júpiter – o novo estudo fixa sua massa em 7,6 massas de Júpiter – mas o diâmetro é aproximadamente o mesmo que o do seu primo do Sistema Solar", explica Bhavesh Rajpoot, doutorando no Instituto Max Planck de Astronomia.

Utilizando o instrumento MIRI, que opera no infravermelho médio do JWST, Rajpoot e sua equipe obtiveram imagens diretas do Epsilon Indi Ab e estimaram a quantidade de amônia presente em sua atmosfera, conforme detalhado em artigo publicado na Astrophysical Journal Letters.

“Para Júpiter, tanto o gás amônia quanto as nuvens de amônia dominam as camadas superiores da atmosfera visível nas observações”, afirmam os pesquisadores.

Diante das características do exoplaneta, acreditava-se que Epsilon Indi Ab também apresentasse grandes quantidades de gás amônia, embora não houvesse nuvens de amônia. Surpreendentemente, uma análise fotométrica revelou menos amônia do que o esperado.

A explicação mais plausível para esse déficit, segundo os astrônomos, é a presença de nuvens espessas, porém irregulares, de gelo de água — semelhantes às nuvens cirros de alta altitude na atmosfera terrestre.

“O que antes parecia impossível de detectar está agora ao nosso alcance, permitindo explorar a estrutura dessas atmosferas, inclusive a presença de nuvens”, concluem os pesquisadores.