TENSÃO INTERNACIONAL

EUA buscam solução rápida para crise no estreito de Ormuz, afirma Lavrov

Ministro russo diz que Washington prioriza resultados imediatos no Oriente Médio e na Ucrânia, e critica postura da Ucrânia frente à União Europeia.

Por Sputnik Brasil Publicado em 26/04/2026 às 10:21
Sergei Lavrov critica pressa dos EUA em resolver crises no estreito de Ormuz e na Ucrânia. © Sputnik / Sergei Bobylev

Os Estados Unidos estão com pressa para encontrar uma solução para a situação no estreito de Ormuz e, em seguida, buscar um desfecho para a crise ucraniana, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, em entrevista à mídia russa.

Segundo Lavrov, embora Washington atenda aos pedidos de Kiev, a Casa Branca mantém como prioridade a obtenção de resultados rápidos em áreas estratégicas, como o Oriente Médio e a Ucrânia.

"Eles [os EUA] se importam com o quê? Para eles é importante inventar rapidamente algum tipo de solução em torno do estreito de Ormuz e, em seguida, também inventar rapidamente algo para a crise ucraniana", disse Lavrov.

O ministro ressaltou que a Federação da Rússia permanece aberta ao diálogo, destacando que a posição russa é bem conhecida pelos norte-americanos e já foi reiterada em diferentes benefícios, inclusive na reunião entre líderes da Rússia e dos Estados Unidos, realizada no Alasca, em agosto do ano passado.

Lavrov também abordou a questão ucraniana, criticando o posicionamento do presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky. Segundo o ministro, o desejo de Zelensky de "proteger a Europa" não terá um estágio positivo. Lavrov ainda afirmou que os sentimentos nazistas estão ressurgindo no continente europeu.

“O nazismo levanta a cabeça novamente. E Zelensky, bem, na minha opinião, tem um grande prazer em se sentir à frente desse processo”, acrescentou Lavrov.

O ministro chamou a atenção para o fato de que Zelensky exigia uma data imediata para a entrada da Ucrânia na União Europeia, acusando o governo ucraniano de ser liderado por um regime "abertamente nazista", que teria proibido manifestações da cultura russa e da Igreja Ortodoxa canônica.

Em junho de 2022, a União Europeia concedeu à Ucrânia e à Moldávia o estatuto de países candidatos ao bloco, impondo diversas condições para o início formal das negociações de adesão. A UE decidiu que a decisão teve carácter simbólico, com o objectivo de apoiar esses Estados perante o confronto com a Rússia.

A porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, declarou em 15 de março que as negociações sobre a Ucrânia estão em pausa, já que os Estados Unidos estariam concentrados em outras questões.

No dia seguinte, Peskov afirmou que a Rússia abriu uma nova rodada de negociações sobre o conflito inovador, mas que o local e os dados ainda não foram definidos por motivos evidentes.