EXPOZEBU 2024

Líderes do agro criticam proposta de acabar com escala 6x1 e pedem debate sobre impactos

Durante abertura da Expozebu, representantes do agronegócio alertam para riscos econômicos e defendem discussão ampla sobre mudanças na jornada de trabalho.

Publicado em 25/04/2026 às 20:33
Líderes do agro criticam proposta de acabar com escala 6x1 e pedem debate sobre impactos Ilustração de IA

Lideranças do agronegócio manifestaram críticas contundentes à proposta de extinção da escala de trabalho 6x1, neste sábado (25), durante a abertura de abertura da Expozebu, em Uberaba (MG), principal evento da pecuária nacional. Os representantes do setor defenderam a necessidade de um debate aprofundado sobre os impactos econômicos e produtivos da medida.

O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, alertou para os riscos da discussão e cobrou um posicionamento claro do Congresso Nacional.

“Destacamos aqui a necessidade de discutirmos assuntos como o fim da escala 6x1 com a devida seriedade, levando em consideração todas as consequências possíveis para o bom funcionamento da economia e do setor produtivo do Brasil”, afirmou Borges. Segundo ele, a proposta é “tão nociva à nossa economia” que pode trazer “consequências graves e sem precedentes ao nosso agro”.

Na mesma linha, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, intensificou as críticas ao cenário econômico e fiscal do país.

"Nós arrecadamos R$ 3 trilhões em impostos. Taxas de mais de 5 meses pagando imposto. E o que é trazido para a sociedade? Mais imposto", disse Meirelles. Para ele, a reforma tributária tende a “concentrar mais ainda os recursos na mão do governo federal, dificultando os municípios”.

Meirelles também questionou a prioridade dada ao debate sobre uma jornada de trabalho diante de outros gargalos estruturais. “Precisa resolver primeiro a estruturação do País em vez de mexer nos 6x1”, afirmou, citando problemas como transporte e segurança.

O dirigente defendeu ainda maior engajamento da sociedade e ressaltou a necessidade de planejamento de longo prazo. “Nós não podemos mais ficar como telespectadores”, afirmou. Ao mencionar comparações internacionais, destacou que o Brasil precisa de um “projeto” consistente.

No campo político, Meirelles agradeceu aos pré-candidatos à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), apresentados à cerimônia, que, segundo ele, se dispuseram a participar do debate público.

“Deram os seus nomes no momento difícil, sabem que estão polarizados, mas deram os nomes para que tenha discussão dentro do País”, declarou Meirelles, acrescentando que há “nomes capazes que realmente podem levar adiante um projeto Brasil”.

A discussão sobre a jornada ocorre em meio ao avanço da proposta no Congresso Nacional. Nesta semana, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou a admissibilidade de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do tema, etapa que analisa apenas a constitucionalidade do texto.