Justiça concede liberdade a jovem preso após adolescente ser encontrada em "casinha de cachorro"
Decisão ocorre após a menor de 16 anos publicar vídeo negando cárcere privado e afirmando que local era usado pelo casal para convivência
O jovem de 20 anos, preso na última semana em Santana do Ipanema sob suspeita de manter a namorada em cárcere privado, foi posto em liberdade. A decisão judicial surge em meio a uma forte reviravolta no caso, impulsionada por declarações da própria adolescente de 16 anos, que utilizou as redes sociais para desmentir a tese de tortura e defender o companheiro.
A operação, realizada no bairro Camoxinga, ganhou repercussão nacional após a Polícia Civil relatar que a menor foi localizada nos fundos de uma residência, dentro de uma estrutura precária descrita como uma "casinha de cachorro". No entanto, o depoimento público da jovem mudou os rumos da narrativa apresentada pelas autoridades.
O Argumento da Defesa e a Versão da Menor
Em sua manifestação, a adolescente alegou que não era mantida presa e que a estrutura mencionada pela polícia era, na verdade, um ponto de encontro do casal. "Ali onde eu estava é um canto que a gente gostava de frequentar. Eu estava lá enquanto ele foi ao mercado comprar lanche para a gente comer", afirmou a jovem, contestando a acusação de que estaria em cativeiro.
A defesa do suspeito utilizou as declarações da menor e a ausência de provas contundentes de agressão física para pleitear a soltura. Segundo a jovem, as marcas em seu corpo — apontadas inicialmente como sinais de tortura — seriam de caráter consensual.
Monitoramento e Investigação
Apesar da soltura, o caso não está encerrado. A Justiça deve impor medidas cautelares enquanto o inquérito é concluído. A Polícia Civil e o Conselho Tutelar mantêm o alerta sobre as condições de vulnerabilidade em que a menor foi encontrada, destacando:
Ambiente Insalubre: O local apresentava acúmulo de lixo e falta de higiene básica.
Evasão Escolar: A adolescente não frequentava a escola, o que configura negligência.
Acompanhamento: A menor deverá ser acompanhada por órgãos de proteção à criança e ao adolescente para garantir sua integridade.
Próximos Passos
O Ministério Público agora aguarda a conclusão do relatório final da Polícia Civil para decidir se oferecerá denúncia formal contra o jovem ou se o caso será arquivado com base nos novos depoimentos. Por enquanto, o investigado aguardará os desdobramentos do processo em liberdade.