REGULAÇÃO

ANP prorroga prazo para Petrobras adequar UTGCA às normas de metano

Estatal terá até 1º de junho para apresentar cronograma de adequação da unidade de Caraguatatuba ao novo limite de metano definido pela agência.

Publicado em 24/04/2026 às 17:35
© Geraldo Falcão / Agência Petrobras / Fotos Públicas

A diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou, nesta sexta-feira (24), por unanimidade, a prorrogação do prazo para que a Petrobras apresente um cronograma de ações visando adequar a Unidade de Tratamento de Gás de Caraguatatuba (UTGCA), em São Paulo, às especificações da agência. A exigência eleva o teor de metano no insumo de 80% para 85%, com o objetivo de aumentar o poder calorífico do gás natural.

A regulamentação, válida para todo o mercado desde o ano passado, vinha permitindo exceções ao gás do pré-sal processado pela Petrobras, por meio de autorizações especiais. Agora, a estatal deverá entregar o cronograma detalhado, incluindo o prazo de conclusão do projeto, até o dia 1º de junho.

Segundo a ANP, um novo descumprimento do prazo resultará na abertura de processo sancionador. Além disso, a agência poderá assumir a elaboração do plano de ação para as obras necessárias, que deverão ser executadas pela Petrobras.

A Petrobras solicitou a prorrogação devido à proximidade do prazo anterior fixado pela ANP para apresentação do plano. Em novembro do ano passado, a agência já havia cobrado a adequação, mas a estatal não apresentou justificativas suficientes até o momento.

A UTGCA tem capacidade para processar 20 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, recebendo insumo da Bacia de Santos. Entre os produtos gerados está o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), fundamental para o programa Gás do Povo.

A necessidade de adequação da unidade ganha ainda mais relevância diante do aumento do preço do insumo, impulsionado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã.

Plano

“No plano de ação devem constar todas as ações e os prazos para a Petrobras adequar o gás às especificações da ANP”, afirmou o relator do processo, diretor Daniel Maia, durante a reunião de diretoria. Maia chegou a propor um prazo maior para a adequação, mas concordou em reduzir o tempo de espera, como sugerido pelo diretor Pietro Mendes.

Segundo Mendes, a Petrobras já tinha conhecimento das novas regras — que exigem 85% de metano — ao planejar os investimentos na UTGCA. Ele alertou para a possível redução da oferta de gás natural ao mercado em um momento crítico, de preços elevados internacionalmente.

“Nada foi feito para aderir à conformidade regulatória até o momento. Acho que nossa resolução não tem sido cumprida, e essa excepcionalidade (postergação) já foi utilizada. Pode haver outras acumulações de gás naquela região e não haverá como tratar esse gás, o que pode gerar uma bola de neve na oferta para o mercado”, avaliou Mendes, antes de votar favoravelmente à nova data-limite.

O diretor Fernando Moura sugeriu que, caso a Petrobras não entregue o plano, a própria ANP o fará. “Se de fato houver um compromisso firme, podemos avaliar uma nova prorrogação. Precisamos de um compromisso que se sustente”, afirmou.

A diretora Symone Araújo lembrou que, desde 2007, a unidade paulista tem planos de ampliação e alertou para possíveis problemas também na Unidade de Tratamento de Gás Natural de Cabiúnas, no Rio de Janeiro, devido à dificuldade de especificação do gás da Rota 3, no Complexo de Energias Boaventura, da Petrobras.