EDUCAÇÃO • GREVE ESTUDANTIL

Alunos da Faculdade de Direito da USP iniciam greve por melhorias e apoio estudantil

Mesmo após servidores encerrarem paralisação, estudantes da São Francisco suspendem aulas e reivindicam reformas, bolsas e benefícios.

Publicado em 24/04/2026 às 15:12
USP

Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), localizados no centro da capital paulista, decidiram entrar em greve após assembleia realizada pelo Centro Acadêmico XI de Agosto na noite desta quinta-feira, 23. A paralisação foi aprovada por 902 votos a favor e 459 contrários.

Entre as principais reivindicações dos universitários estão melhorias no refeitório e na infraestrutura do prédio histórico de São Francisco, reajuste do valor do benefício de apoio à permanência estudantil para um salário mínimo paulista (R$ 1.804), aprimoramento das ações afirmativas e ampliação das bolsas de ensino, pesquisa e extensão.

Em nota, a diretora Ana Elisa Liberatore Bechara afirmou: “A diretoria segue adotando postura de diálogo e mobilização permanente, com o objetivo de encontrar soluções com a maior brevidade possível, por meio da escuta ativa dos estudantes, sempre com respeito mútuo e responsabilidade institucional.”

Segundo levantamento apresentado pelos alunos no início do ano, a faculdade enfrentou problemas como carteiras quebradas, goteiras, fios expostos, mofo e buracos nas paredes das salas de aula e até mesmo no salão nobre.

A deflagração da greve estudantil ocorreu quase simultaneamente ao encerramento da paralisação dos servidores da USP, que durou nove dias. Na tarde de quinta-feira, o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) aceitou as propostas da reitoria e assinou acordo para o fim dos protestos.

Com o início da greve nesta sexta-feira, as aulas da graduação foram suspensas. “Os docentes ficam desobrigados de ministrar suas disciplinas, bem como de reportar o conteúdo programático correspondente”, informou a direção da unidade.

A diretoria também comunicou que os estudantes se comprometeram a garantir o acesso ao prédio e a não utilizar o mobiliário das salas como barreiras — prática observada em piquetes realizados por alunos de outros cursos, como na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

Atividades de pós-graduação, extensão universitária, bancos de defesa de trabalhos de conclusão, consultas à biblioteca e eventos previamente agendados não serão afetados pela paralisação.

Na manhã desta sexta-feira, 24, o Centro Acadêmico XI de Agosto promoveu um ato na Cidade Universitária, zona oeste da capital, e, ao longo do dia, realiza oficinas de cartazes e cinedebate nas Arcadas, prédio histórico da faculdade.