EXECUTIVOS

Pressão reduz clareza de líderes em decisões que movem bilhões

Estudos mostram arrependimento frequente e dificuldade diante do excesso de dados

Por Rowena Romagnoli Publicado em 24/04/2026 às 15:08
Divulgação

Executivos de grandes empresas estão tomando decisões de alto impacto sob níveis crescentes de pressão e excesso de informação, o que já afeta diretamente a qualidade do julgamento na alta gestão. O tema ganhou força em estudos recentes e passou a ser tratado como um dos principais riscos em posições de liderança, especialmente em ambientes onde decisões estratégicas precisam ser tomadas em prazos cada vez mais curtos.

O avanço da digitalização e a velocidade dos negócios ampliaram a exposição dos líderes a múltiplas demandas simultâneas, reduzindo o tempo de análise e aumentando a complexidade das escolhas. Ao mesmo tempo, a concentração de responsabilidade no topo limita o espaço para troca genuína, o que favorece decisões mais isoladas e mais propensas a parcialidades.

“Existe uma ideia de que, quanto mais experiência o líder tem, mais simples fica decidir. Na prática, acontece o oposto. As decisões ficam mais complexas, mais expostas e com menos margem para erro. Se não houver clareza mental, o risco não é só errar, é nem perceber que está errando”, afirma Marcos Koenigkan, CEO do Think Tank Mercado & Opinião.

“Em momentos de pressão, o impulso é acelerar. Mas decisões críticas exigem o contrário: desacelerar o raciocínio para não confundir urgência com prioridade. Nem sempre o problema é falta de informação, muitas vezes é excesso sem filtro”, diz Paulo Motta, vice-presidente do Think Tank Mercado & Opinião, em São Paulo.

Levantamento global da Oracle com 14 mil líderes mostra que 85% já se arrependeram de decisões recentes e 72% relatam dificuldade diante do excesso de dados. Já a Harvard Business Review aponta que a solidão no topo compromete a qualidade das decisões ao reduzir o acesso a contrapontos qualificados.

A discussão sobre o impacto da pressão na tomada de decisão também tem ganhado espaço em fóruns empresariais. O Mercado & Opinião promove, no dia 28 de abril, em São Paulo, um encontro que reunirá lideranças para debater o tema sob diferentes perspectivas. Entre os participantes estão o psiquiatra e escritor Augusto Cury, o executivo Alexandre Baldy, ligado à operação da BYD no Brasil, e a empreendedora social Alcione Albanesi, presidente da Amigos do Bem.

A pressão constante e a necessidade de respostas rápidas vêm expondo um limite menos discutido da liderança: a capacidade de manter clareza mental em decisões críticas. Em um ambiente onde a informação não para de crescer, o diferencial deixa de ser acesso a dados e passa a ser a forma como o líder organiza o próprio raciocínio.