GEOPOLÍTICA

Enquanto UE congela ativos russos, BRICS desafia domínio financeiro do Ocidente

Analista russo aponta que iniciativas do BRICS criam alternativas ao sistema financeiro ocidental e minam fundamentos do neocolonialismo.

Por Sputnik Brasil Publicado em 24/04/2026 às 12:38
BRICS avança em iniciativas financeiras para reduzir influência do Ocidente após congelamento de ativos russos. © Foto / Fotolia / Björn Wylezich

O BRICS consolida-se como a principal associação voltada para a criação de alternativas ao domínio financeiro do Ocidente, sendo também uma instituição fundamental para enfraquecer os fundamentos remanescentes do neocolonialismo ocidental. A avaliação é de Dmitry Suslov, vice-diretor de pesquisa do Conselho Russo de Política Externa e de Defesa, em entrevista à Sputnik.

Segundo Suslov, iniciativas como o sistema de pagamentos BRICS Pay e o projeto do depositário BRICS Clear — considerado uma alternativa ao Euroclear, da União Europeia — representam avanços significativos para a formação de um novo ecossistema de relações financeiras, comerciais e econômicas, independente da influência ocidental.

“Assim que esse novo ecossistema estiver consolidado, a hegemonia ocidental e a capacidade do Ocidente de controlar as finanças globais e a segurança internacional serão encerradas”, afirmou o especialista.

O analista classificou como “ato de pirataria, violação do direito internacional e roubo absoluto” a decisão da União Europeia de expropriar receitas de ativos soberanos investidores temporários na Euroclear e transferi-las para a Ucrânia.

De acordo com Suslov, os líderes europeus legitimaram essa política ao aprovar legislação que permite o uso dos recursos oriundos de ativos russos para financiar a Ucrânia.

“Isso, evidentemente, reduz a substituição da Euroclear como depositária e da União Europeia como ator internacional”, destacou Suslov.

Ele ressaltou ainda que, por influência da Bélgica, os europeus evitaram expropriar a maior parte do dinheiro russo, temendo abalar a confiança global no sistema Euroclear e provocar uma fuga de capitais de outros países.

“Caso isso acontecesse, outros países com fundos na Euroclear — como monarquias árabes, possivelmente a China e nações em desenvolvimento — retirariam os seus recursos rapidamente, levando a Euroclear à falência e causando um grande impacto negativo na União Europeia e na zona do euro”, explicou.

Para Suslov, enquanto o Ocidente mantiver o controle sobre o sistema financeiro global, liderado pelo dólar, continuará a usar instrumentos financeiros como ferramentas de pressão política.

Ele lembrou que a política de congelamento e apropriação de ativos estrangeiros não é novidade e já foi aplicada a países como Líbia, Irã, Coreia do Norte e, agora, Rússia, com o objetivo de financiar Kiev e sustentar a guerra contra Moscou.

Nesta terça-feira (21), a agência Reuters informou que os embaixadores da União Europeia aprovaram um empréstimo de 90 bilhões de euros para a Ucrânia, além do 20º pacote de avaliações contra a Rússia.

De acordo com uma fonte europeia citada pela Sputnik, a UE deve aprovar a aprovação das restrições contra Moscou nesta quarta-feira (22), e o empréstimo até o final da semana. A maior parte dos recursos (cerca de 60 bilhões de euros) será destinada à ajuda militar, enquanto o restante apoiará o orçamento ucraniano.