Hezbollah denuncia ataques israelenses no sul do Líbano mesmo após extensão de cessar-fogo
Apesar do anúncio da prorrogação da trégua, confrontos e mortes são registrados na região fronteiriça
O Hezbollah afirmou nesta sexta-feira, 24, que Israel mantém operações militares no sul do Líbano, mesmo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a prorrogação do cessar-fogo por mais três semanas.
A trégua, iniciada em 17 de abril e prevista para terminar no domingo, 26, foi estendida após comunicado de Trump na quinta-feira, 23. No entanto, o Ministério da Saúde do Líbano confirmou que duas pessoas morreram em um ataque israelense em Touline, no sul do país, nesta sexta-feira.
A milícia xiita pró-Irã também relatou ter abatido um drone israelense nos arredores de Tiro, em retaliação à suposta violação do espaço aéreo libanês por Israel. O incidente foi confirmado por autoridades israelenses.
Antes disso, as Forças de Defesa de Israel (IDF) emitiram um alerta para que moradores da vila de Deir Aames deixassem a área — o primeiro aviso desse tipo desde a prorrogação do cessar-fogo.
“Aviso urgente aos moradores da área de Deir Aames. Devido à atividade terrorista do Hezbollah, as IDF estão realizando operações direcionadas na região”, publicou no X o porta-voz em árabe das IDF, Avichay Adraee, recomendando que civis se afastassem pelo menos mil metros do local.
Diante da escalada das tensões, políticos libaneses aliados ao Hezbollah se manifestaram contra a extensão da trégua.
O deputado Ali Fayad afirmou que “não faz sentido” prorrogar o cessar-fogo diante dos contínuos “atos hostis” de Israel, o que daria ao Hezbollah “o direito de responder no momento apropriado”. Segundo ele, o grupo reserva-se o direito de reagir a quaisquer “agressões” israelenses durante a trégua.
Já o deputado Mohammed Raad, líder do bloco parlamentar do Hezbollah, defendeu que o Líbano “se retire” das negociações diretas com Israel.
“As autoridades deveriam sentir vergonha perante o seu povo e retirar-se do que tem sido chamado de negociações diretas com o inimigo sionista”, declarou Raad em comunicado. “Qualquer contato ou reunião oficial que reúna os lados libanês e israelense em meio à guerra em curso não terá, de forma alguma, consenso nacional libanês”, acrescentou.
Raad ainda criticou a trégua: “Qualquer suposta trégua que conceda ao inimigo ocupante no Líbano uma isenção especial para abrir fogo não é uma trégua de fato, mas sim um engano ardiloso e uma tentativa de ludibriar os outros, que implica encobrir a hostilidade israelense e fechar os olhos às contínuas violações do inimigo”.
Com agências internacionais