GESTÃO FINANCEIRA

Presidente dos Correios descarta necessidade imediata de capitalização extra de R$ 8 bilhões

Emmanoel Rondon afirma que liquidez está garantida no curto prazo e destaca avanços no controle de custos e adesão ao PDV

Publicado em 23/04/2026 às 17:43
Emannoel Rondon MCom

O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou nesta quinta-feira (23) que não há necessidade imediata de uma capitalização adicional de até R$ 8 bilhões na estatal. "Estamos fazendo consultas baseadas nas projeções de fluxo de caixa de receita. Talvez não valha captar muito recurso agora e deixá-lo empoçado", explicou durante coletiva de imprensa.

Para garantir liquidez no curto prazo, os Correios anunciaram, em novembro do ano passado, uma operação de crédito com aporte de até R$ 20 bilhões. No entanto, o Tesouro Nacional autorizou um empréstimo menor, de até R$ 12 bilhões. A possibilidade de uma capitalização extra de até R$ 8 bilhões segue em discussão.

Rondon destacou que, atualmente, há maior receptividade dos bancos em relação ao financiamento, especialmente quando comparado a 2025. "Podem não ser os R$ 8 bilhões para uma próxima captação, porque algumas ações que conseguimos implementar trouxeram conforto de liquidez relevante", completou.

A meta da companhia é alcançar o equilíbrio das contas entre 2026 e 2027.

O presidente dos Correios também ressaltou que a discussão sobre a privatização da empresa é de responsabilidade do controlador e não faz parte da pauta da atual administração.

Redução de despesas e passivos

Segundo Rondon, há "grande segurança" quanto à redução significativa das despesas operacionais nos próximos anos, sem prejudicar a qualidade dos serviços. Ele destacou, porém, que o passivo relacionado a processos judiciais continua impactando o caixa da estatal e não há previsão de redução desse fator no curto prazo.

Os Correios informaram que, em 2025, houve uma redução de 32% nos custos variáveis com empregados em comparação a 2024. "Esse indicador mostra que a empresa está operando com maior produtividade e melhor gestão de recursos", afirmou a estatal, que enfatizou o "rigoroso controle de custos".

Plano de Desligamento Voluntário (PDV)

Como parte do Plano de Reestruturação, os Correios implementaram um Plano de Desligamento Voluntário (PDV), focado na recomposição da sustentabilidade financeira e ampliação da capacidade de investimento.

Rondon negou baixa adesão ao PDV e afirmou que medidas complementares poderão ser adotadas para atingir as metas de redução de custos. Inicialmente, a expectativa era de que 10 mil funcionários aderissem ao programa. Até o momento, 3.181 empregados solicitaram desligamento voluntário, cerca de 31% do público-alvo. A economia anual estimada com o PDV é de R$ 2,1 bilhões, com impacto pleno previsto a partir de 2028. "A adesão foi alta, então vamos complementar com o que for necessário para atingir a meta", disse o presidente.

Em 2025, os Correios registraram "melhora significativa" na qualidade operacional, com índices de entrega dentro do prazo superando as metas institucionais e queda de 43% no volume de encomendas em atraso. A estatal também informou a geração de R$ 117,1 milhões em novas receitas, provenientes de embalagens, balcão do cidadão e operações customizadas.

Para os próximos anos, a companhia planeja intensificar a "modernização tecnológica" de sua malha logística e investir na capacitação da força de trabalho remanescente. Além do equilíbrio financeiro previsto para 2026 e 2027, os Correios esperam uma "transformação definitiva", com maior rentabilidade e oferta de serviços postais adaptados à digitalização e ao crescimento do comércio eletrônico.