MUDANÇA DE COMPORTAMENTO

Uso de canetas emagrecedoras faz supermercados repensarem mix de produtos

Popularização das 'canetinhas' para emagrecimento já impacta decisões do varejo alimentar, aponta Abras

Publicado em 23/04/2026 às 16:27
Reprodução

A adesão crescente às chamadas "canetinhas" associadas à saúde e ao bem-estar começa a influenciar o comportamento do consumidor e leva o varejo alimentar a reavaliar o mix de produtos oferecidos, segundo o vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Marcio Milan.

“Esse movimento leva o supermercado a observar como o consumidor está mudando suas escolhas”, afirmou Milan, em entrevista à imprensa nesta quinta-feira, 23.

De acordo com ele, o setor já percebe um movimento de busca por dados e informações para embasar decisões sobre portfólio e sortimento, embora as mudanças ainda estejam voltadas para o estágio inicial.

Consumo em março

Dados da Abras mostram que o consumo nos lares brasileiros cresceu 3,2% em março, na comparação com o mesmo mês do ano passado. O indicador avançou 6,21% ante fevereiro e encerrou o primeiro trimestre com alta acumulada de 1,92%.

Esse desempenho foi impulsionado pela antecipação de compras para a Páscoa, comemorada no início de abril, e pelo efeito-calendário de fevereiro, mês com menos dias. Parte significativa do consumo ficou especializada na última semana de março.

O avanço ocorreu em um contexto de maior disponibilidade de renda, com a liberação de recursos como Bolsa Família, PIS/Pasep, restituições do Imposto de Renda e pagamentos do INSS.

"Mesmo em um cenário favorável para a renda das famílias, o setor mantém foco em competitividade de preços, eficiência operacional e planejamento, diante de eventuais logísticas e de custos no ambiente internacional", destacou Milão.

Abrasmercado

O Abrasmercado, indicador que acompanha a variação de preços da cesta de 35 produtos de largo consumo, registrou alta de 2,20% em março, a mais intensa do primeiro trimestre. Nos meses anteriores, as variações foram de +0,47% em fevereiro e -0,16% em janeiro. Com isso, o valor médio da cesta passou de R$ 802,88 para R$ 820,54 no mês.

Para os próximos meses, o cenário ainda apresenta risco de alta em parte dos alimentos, especialmente nos itens mais sensíveis a frete, clima e oferta. “A alta do petróleo e o encarecimento do transporte elevam o custo de reposição em cadeias mais longas e intensivas em logística, com potencial de repasse para alimentos”, disse Milão.

No recorte da cesta de 12 produtos básicos, o preço médio nacional avançou 2,26% em março, passando de R$ 336,80 para R$ 344,40.

A entidade prevê suporte adicional ao consumo no trimestre segundo, com medidas como a antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS e o pagamento de restituições do Imposto de Renda, que tendem a estimular a renda disponível das famílias.