Conpresp retoma votação de recurso para destombar prédio da Escola Panamericana em SP
Decisão pode retirar proteção de edifício considerado ícone da arquitetura pós-moderna paulistana
O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) retomou nesta segunda-feira, 27, a votação do recurso que pede o destombamento do prédio da Escola Panamericana de Arte e Design, localizado na Avenida Angélica, em Higienópolis, região central da capital paulista. O prédio foi tombado em 2024 por ser considerado um marco da arquitetura pós-moderna paulistana. A solicitação de "destombamento" foi apresentada pela empresa proprietária, que alega ausência de relevância arquitetônica, urbanística ou afetiva.
Se o pedido de aprovação, o imóvel perderá a proteção como patrimônio cultural, o que poderá viabilizar até mesmo sua demolição. Um outro edifício da Panamericana, com características semelhantes, situado na Rua Groenlândia, foi demolido em 2021, apesar de mobilizações pela sua preservação.
O imóvel pertence à Keeva Investimentos e Participações Ltda, responsável pelo pedido de reversão do tombamento. O recurso já esteve na pauta de outras duas reuniões do Conpresp, mas a votação foi adiada. A expectativa é que, na reunião desta segunda-feira, seja tomada uma decisão definitiva. O tema é o primeiro item da pauta do conselho.
Projetado arquiteto por Siegbert Zanettini, o edifício da Avenida Angélica foi tombado em 2024 pelo Conpresp, que destacou a "relevância da edificação como testemunho para a história da técnica e da arquitetura, revelando características importantes da linguagem pós-moderna e do urbanismo paulistano do final do século 20".
O olhar de tombamento ressalta a "estética high tech" do projeto, considerado "um verdadeiro marco da arquitetura e design de São Paulo".
No recurso, a Keeva apresenta o parecer do arquiteto Pedro Taddei Neto, segundo o qual o valor inovador e histórico da obra não seria inédito ou exclusivo, "tendo em vista que, datado de 1998, é uma obra tardia da geração das exoestruturas em aço". Ele argumenta ainda que não há evidências de valor afetivo do edifício para a população de São Paulo.
Entidades da sociedade civil, como o Movimento Defenda São Paulo, a Associação de Proprietários, Protetores e Usuários de Imóveis Tombados (APPIT) e o Coletivo Pró-Higienópolis, estão mobilizadas para acompanhar a sessão. "A deliberação do Conpresp ultrapassa esse caso específico. Trata-se de decisão com impacto direto sobre a consistência do sistema de proteção do patrimônio cultural da cidade, em especial quanto à preservação de bens representativos da arquitetura recente e de sua inserção na paisagem urbana", destaca nota divulgada pelos grupos.
Ao Estadão , o advogado da Keeva, Luiz Carlos Andrezani, afirmou que, caso o Conpresp mantenha o tombamento, a empresa poderá recorrer à Justiça para tentar reverter a decisão.