Cautela externa por impasse com guerra no Oriente Médio empurra o Ibovespa para baixo
O quadro de incerteza sobre os conflitos no Oriente Médio empurra o Ibovespa para baixo nesta quinta-feira, 23, em sintonia com as bolsas norte-americanas. Seguindo a abertura negativa das bolsas de Nova York, o principal indicador da B3 virou há pouco e renovou mínima em 192.176,10 pontos (-0,37%), em meio à falta de motivadores e novidades positivas sobre o impasse entre Estados Unidos, Israel e o Irã.
Sem novidades sobre um acordo de paz no radar e com a agenda de indicadores esvaziada no Brasil, a volatilidade dá a tônica no começo do pregão desta quinta-feira. Além da expectativa de uma reunião, que pode acontecer hoje entre Israel e o Líbano para debater a prorrogação do cessar-fogo, ficam no foco no exterior Índices de Gerentes de Compras (PMIs, na sigla em inglês).
"O mercado está aguardando para ver o que acontecerá. O Ibovespa deve ficar mais de lado", diz Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3. "Se o conflito no Oriente Médio continuar e a pressão sobre o petróleo, também, a Bolsa pode passar para 200 mil pontos", completa, destacando o risco inflacionário da commodity na inflação. "Uma outra preocupação que começa a aparecer são os possíveis efeitos do El Niño na nossa inflação", completa Oliveira.
As ações da Petrobras seguem no radar, seja pela evolução do petróleo, seja pelo noticiário. O governo alterou o decreto que trata da subvenção de diesel e Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) para adequar o texto à demanda das empresas, como antecipou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Após desacelerar o ritmo de alta há instantes, o petróleo voltou a subir mais de 1% por volta das 11 horas, com o Brent negociado a US$ 103,27, um pouco abaixo da máxima intradia dos US$ 106,15 o barril. Neste sentido, eleva preocupações com a inflação mundial, especialmente no Brasil e nos EUA, que terão decisões de política monetária na semana que vem.
De acordo com o economista-chefe do BV, Roberto Padovani, há vários fatores que explicam o ambiente cauteloso nos mercados. "O principal deles e mais importante é a continuidade da tensão no Oriente Médio, mas também há dados negativos de crescimento na Europa. Isso mantém no radar uma eventual contração econômica na região", diz em comentário matinal do banco.
Na zona do euro, o PMI composto euro caiu de 50,7 em março para 48,6 em abril, atingindo o menor nível em 17 meses, segundo dados preliminares publicados hoje pela S&P Global em parceria com o Hamburg Commercial Bank. O resultado ficou abaixo da expectativa de analistas (50,2) e aquém de 50, o que sinaliza contração da atividade econômica do bloco. Já nos EUA, o PMI composto subiu a 52 em abril, a maior marca em três meses.
Em Nova York, os índices recuam moderadamente. Apesar disso, as incertezas permanecem. Ontem, o Irã apreendeu dois navios no Estreito de Ormuz e os Estados Unidos interceptaram pelo menos três petroleiros com bandeira iraniana em águas asiáticas. Ao mesmo tempo, o governo americano alertou seus cidadãos a deixarem Irã e Líbano imediatamente, após ter estendido o prazo de cessar-fogo com o Irã.
Para Rafael Minotto, analista da Ciano Investimentos, a expectativa ainda é de um viés de alta para o Ibovespa, em função de o índice ter recuado em pregões recentes. "Uma nota importante é que o BOFA (Bank of America) elevou ontem a projeção de 180 para 200 mil pontos, dizendo que o pais é a principal aposta entre países emergentes, dada o fluxo estrangeiro resiliente", cita.
Ontem, o Ibovespa fechou em queda de 1,65%, aos 192.888,96 pontos.
Às 11h15 desta quinta-feira, o Índice Bovespa caía 0,23%, aos 192.436,28 pontos, ante recuo de 0,37%, na mínima em 192.176,10 pontos, após alta de 0,24%, na máxima em 193.346,63 pontos, vindo de abertura aos 192.889,13 pontos, com variação zero.
Entre as principais ações, Petrobras cedia 0,30% e Vale recuava 0,88%. O minério de ferro em Dalian fechou com declínio de 0,32%.
O dólar à vista cedia 0,46%, para R$ 4,9510, com os juros futuros avançando.