ECONOMIA

US$ 9,3 bilhões: Acordo com UE pode baratear custos e expor indústria

Por Assessoria Publicado em 23/04/2026 às 11:48
US$ 9,3 bilhões: Acordo com UE pode baratear custos e expor indústria Arquivo

"O ganho estimado de US$9,3 bilhões no PIB e o ganho nas exportações deve chegar a 26% com o acordo, mas o real teste será a capacidade da indústria brasileira de usar essa abertura como estímulo à modernização e não como justificativa para retrair produção", André Matos, CEO da MA7 Negócios.

“O acordo tende a impor uma reorganização estrutural na indústria brasileira. Parte relevante das empresas ganha eficiência ao ser exposta a padrões internacionais de concorrência, mas esse movimento não é uniforme, setores menos produtivos podem perder espaço ao longo do tempo. O aumento das importações, nesse contexto, funciona como um mecanismo de disciplina de preços, reduzindo pressões inflacionárias e tornando o ambiente mais equilibrado. Isso favorece o Banco Central, que passa a operar com maior previsibilidade, já que a inflação tende a responder menos a distorções internas e mais a fatores estruturais. No conjunto, é um movimento que eleva o nível de exigência da economia e melhora a qualidade do crescimento no longo prazo”, Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

“O acordo desloca a indústria brasileira de um ambiente protegido para um regime de competição externa mais intensa, o que implica ganho de eficiência para players capazes de integrar cadeias globais e perda de espaço para segmentos menos produtivos, com impacto direto na compressão de margens domésticas. O aumento das importações atua como âncora desinflacionária em bens comercializáveis ao impor disciplina de preços via concorrência, reduzindo repasses e dispersão inflacionária. Nesse contexto, o Banco Central tende a ganhar previsibilidade marginal ao lidar com uma inflação menos inercial e mais sensível a fundamentos, o que melhora a calibração da política monetária e reduz a necessidade de respostas defensivas a choques de oferta”, Sidney Lima, Analista da Ouro Preto Investimentos.

“O acordo Mercosul-União Europeia, promulgado pelo Congresso em março e com entrada em vigor prevista para maio, traz um cenário de dupla exigência para a indústria brasileira: de um lado, a abertura dos bens europeus ao mercado nacional vai pressionar setores que ainda dependem de proteção tarifária para manter competitividade; de outro, a queda no custo de importação de máquinas, insumos e tecnologia europeia é exatamente o que parte do nosso parque industrial precisava para ganhar eficiência produtiva. Em termos de preços, os estudos apontam para um efeito desinflacionário no médio prazo, e é aqui que o Banco Central ganha relevância no debate: um acordo que reduz custo de produção e pressão sobre preços ao consumidor tende a aumentar a previsibilidade da trajetória da inflação, ampliando o espaço para uma política monetária mais assertiva. O ganho estimado de US$9,3 bilhões  no PIB e o ganho nas exportações deve chegar a 26% com o acordo, mas o real teste será a capacidade da indústria brasileira de usar essa abertura como estímulo à modernização e não como justificativa para retrair produção”, André Matos, CEO da MA7 Negócios.

“O acordo Mercosul–União Europeia tende a forçar a indústria brasileira a buscar mais eficiência, elevando produtividade e competitividade. Empresas mais estruturadas podem ganhar espaço ao se integrar melhor às cadeias globais de valor. Por outro lado, setores menos eficientes enfrentam maior risco de perda de mercado diante da concorrência europeia. O avanço das importações amplia a competição no mercado interno e reduz o poder de repasse de custos. Isso contribui para conter preços, especialmente em bens industriais e insumos. A maior previsibilidade comercial reduz incertezas sobre fluxos de comércio e investimentos. Com regras mais estáveis, a formação de preços tende a ficar mais ancorada no cenário externo. Nesse contexto, o Banco Central passa a operar com um ambiente inflacionário mais previsível e menos sujeito a choques comerciais”, Peterson Rizzo, Gerente de R.I da Multiplike. 

“A abertura comercial cria um novo padrão de competição que exige adaptação rápida da indústria. Parte das empresas consegue ganhar eficiência e ampliar presença internacional, enquanto outras enfrentam perda de espaço, principalmente nos segmentos mais expostos à concorrência externa. O aumento das importações tende a pressionar preços e margens no curto prazo, mas também contribui para conter a inflação, o que ajuda a estabilizar o ambiente macroeconômico. Para o Banco Central, isso pode representar um ganho relevante de previsibilidade, porque reduz volatilidades domésticas e melhora a leitura da dinâmica de preços. Ao mesmo tempo, a economia passa a ficar mais sensível ao cenário global, o que exige maior atenção às variáveis externas”, Gustavo Assis, CEO da Asset Bank.

“A indústria brasileira entra em um momento decisivo, porque esse tipo de acordo não permite mais ineficiência estrutural. Ou ela ganha produtividade e escala para competir globalmente, ou perde espaço dentro do próprio mercado doméstico. O dado de aumento das exportações é relevante, mas ele vem acompanhado de uma abertura que exige adaptação rápida. Ao mesmo tempo, o aumento das importações tende a funcionar como um freio natural de preços, principalmente em setores mais competitivos, o que pode aliviar pressões inflacionárias. Isso, por consequência, dá ao Banco Central um ambiente mais previsível, porque reduz distorções internas e ancora melhor as expectativas. Para o ecossistema de negócios, isso cria um cenário onde eficiência deixa de ser diferencial e passa a ser condição básica de sobrevivência”, João Kepler, CEO da Equity Group.

“O acordo traz um efeito clássico de abertura econômica, mais eficiência no longo prazo, mas com ajuste no curto prazo. A indústria brasileira tende a ganhar produtividade, mas não sem perder espaço em segmentos menos competitivos. O aumento das importações funciona como um mecanismo de disciplina de preços, ajudando a conter a inflação e tornando o ambiente mais equilibrado. Isso pode, sim, dar ao Banco Central uma leitura mais previsível da inflação estrutural, porque reduz distorções locais e aumenta a concorrência. Para o investidor, especialmente no mercado de capitais e ETFs, isso reforça a importância de diversificação global e exposição a setores que se beneficiam de maior integração internacional, porque o Brasil passa a operar mais conectado ao ciclo externo do que ao interno”, Fábio Murad, Sócio e Fundador da Ipê Avaliações.