OPERAÇÃO FEDERAL

PF realiza buscas em investigação sobre fraude de R$ 13 milhões da Previdência em Santo Antônio de Posse

Ação apura suspeita de gestão temerária em investimentos do RPPS municipal em Letras Financeiras do Banco Master, alvo de liquidação extrajudicial.

Publicado em 23/04/2026 às 08:36
Polícia Federal Reprodução / Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira, 23, a Operação Risco Moral para investigar suspeitas de gestão temerária de recursos do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) dos servidores municipais de Santo Antônio de Posse, no interior de São Paulo. Segundo as apurações, aproximadamente R$ 13 milhões foram aplicados em Letras Financeiras do Banco Master.

A sede do Instituto de Previdência Municipal de Santo Antônio de Posse (IPREM Posse) foi alvo de buscas nesta manhã. O jornal aguarda manifestação do instituto, e o espaço segue aberto para posicionamento.

Entre os alvos da operação está o ex-diretor-presidente do IPREM Posse, Hortêncio Lala Neto. Também foram alvo de mandatos a ex-supervisora ​​de Gestão do instituto, Marlene Maria Vieira Bassani, e os conselheiros Hélio Augusto Moraes, Maria de Lourdes Villalva e Tatiana Felix dos Reis, todos integrantes do comitê de investimentos da autarquia.

A reportagem busca contato com os investigados. O espaço permanece aberto para manifestações.

Os Agentes Federais cumpriram seis mandatos de busca e apreensão em Santo Antônio de Posse e Mogi Mirim. Também foram determinadas medidas cautelares de afastamento de função pública por 180 dias e indisponibilidade de bens, conforme decisão da 9ª Vara Federal de Campinas.

De acordo com a investigação, os R$ 13 milhões foram aplicados em Letras Financeiras de longo prazo, com vencimentos previstos para 2033 e 2034, sem a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Um dos emissores foi o Banco Master, que teve uma liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. A instituição e seus gestores também são investigados na Operação Compliance Zero, que apura crimes contra o sistema financeiro nacional, como a criação de créditos fraudulentos.

Segundo a PF, Hortêncio atuou na direção do instituto e na gestão dos recursos do RPPS na época dos investimentos, participando das reuniões e propondo as aplicações. Marlene era responsável pela supervisão e acompanhamento das análises financeiras. Maria de Lourdes, Hélio Augusto e Tatiana tinham a responsabilidade de deliberar e formalizar os investimentos.

A Polícia Federal detalhou que a primeira aplicação foi realizada em 16 de outubro de 2023, no valor de R$ 6 milhões, representando 6,48% dos recursos do instituto. No total, foram adquiridas três Letras Financeiras: R$ 6 milhões em 16 de outubro de 2023, R$ 5 milhões em 22 de abril de 2024, e R$ 2 milhões em 3 de maio de 2024.