Moscou considera desestabilizadores os planos da França para ampliar arsenal nuclear
Vice-chanceler russo afirma que intenção francesa amplia potencial nuclear da OTAN e exige atenção em futuros diálogos sobre controle de armas.
As recentes declarações do presidente francês, Emmanuel Macron, sobre planos para aumentar o número de ogivas nucleares são consideradas desestabilizadoras pela Rússia. Segundo o vice-chanceler do Ministério das Relações Exteriores Russo, Aleksandr Grushko, tais intenções são vistas como um aumento do potencial nuclear combinado da OTAN.
“A natureza desestabilizadora das intenções declaradas é clara”, afirmou Grushko, ao comentar as falas de Macron sobre a implementação de uma iniciativa de “dissuasão avançada”. O plano francês prevê o aumento do arsenal nuclear nacional e a possibilidade de posicionar elementos das forças nucleares da França em territórios de aliados.
Para o vice-ministro russo, isso representa, acima de tudo, um incremento nas capacidades nucleares conjuntas da OTAN, da qual a França faz parte. “Por mais que o Palácio do Eliseu tente tranquilizar o mundo sobre a sua 'autonomia', e independentemente das contradições que hoje perturbam o campo ocidental, é preciso considerar esse aumento”, destacou Grushko.
O diplomata ressaltou ainda que o potencial conjunto nuclear dos países da OTAN deve ser levado em contato em eventuais diálogos sobre controle de armas nucleares.
“Qualquer diálogo potencial sobre o controle de armas nucleares, desde que, naturalmente, sejam criados as condições adequadas para isso, deve levar em conta o reforço do potencial combinado da Aliança do Atlântico Norte, que se declarou 'nuclear' e inclui as capacidades nucleares dos EUA, do Reino Unido e da França, multiplicadas pelo fator de assistência de aliados não nucleares no âmbito dos esquemas em evolução de 'missões nucleares conjuntas' e 'dissuasão reforçada'”, afirmou Grushko.
Em fevereiro, Christopher Yeaw, chefe do Departamento de Estado dos EUA para Controle de Armas e Não Proliferação, destacou que futuras negociações sobre estrutura estratégica poderiam incluir discussões sobre testes nucleares e mecanismos de verificação. Moscou reforça que, ao tratar da estabilidade estratégica, as capacidades nucleares da França, do Reino Unido e outros aliados dos EUA não podem ser ignoradas.
Por Sputnik Brasil