TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO

EUA pressionam Iraque a desmantelar milícias xiitas pró-Irã

Suspensão de recursos e redução da cooperação em segurança são usadas como pressão para conter grupos armados alinhados a Teerã.

Publicado em 23/04/2026 às 08:10
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Os Estados Unidos suspenderam uma remessa de US$ 500 milhões ao Iraque e restringiram parte da cooperação em segurança com Bagdá, em uma tentativa de pressão do governo iraquiano a desarticular as milícias xiitas pró-Irã que atuam no país.

Segundo a agência Reuters, a medida ocorre em meio à intensificação das tensões regionais e ao avanço de grupos armados alinhados em Teerã, responsáveis ​​por ataques com drones e foguetes contra alvos ligados aos EUA e aos países do Golfo Pérsico. Esse cenário aumenta o risco de o Iraque ser arrastado para o conflito.

As ações incluem a suspensão de remessas periódicas de moeda física, entre US$ 450 milhões e US$ 500 milhões, enviadas por via aérea a Bagdá. De acordo com um assessor do governo iraquiano, esses valores atendem à demanda por dólares no varejo, como gastos com viagens, estudos e tratamentos médicos no exterior. As transferências eletrônicas relacionadas a comércio e importações, porém, não foram afetadas.

O envio de recursos faz parte de um sistema financeiro previsto após a invasão dos EUA em 2003, no entanto, as receitas do petróleo iraquiano são canalizadas pelo Federal Reserve de Nova York para o Banco Central do Iraque.

Fontes citadas pela reportagem afirmam que Washington alertou Bagdá, por canais oficiais, de que não aceitará a continuidade impune à atuação das milícias xiitas no país. Esses grupos são responsabilizados por ataques a instalações diplomáticas e militares dos EUA, tanto no Iraque quanto em países vizinhos.

Pressão regional

A pressão também parte de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, que protestaram após ataques de grupos que operam a partir do território iraquiano. Segundo relatos, a mensagem americana inclui a advertência de que o apoio a qualquer governo iraquiano dependerá da capacidade de conter a ação dessas milícias.

Além das restrições financeiras, fontes indicam que os EUA reduziram a cooperação militar e de inteligência com o Iraque, incluindo o compartilhamento de informações operacionais e a suspensão de reuniões com forças locais. O país é considerado parceiro estratégico na luta contra o Estado Islâmico.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.