CRISE DIPLOMÁTICA

Lula espera retomada do diálogo após Brasil aplicar reciprocidade contra os EUA

Após a retirada das credenciais de delegado brasileiro nos EUA, governo responde e presidente defende normalização das relações.

Publicado em 23/04/2026 às 05:01
Lula defende reciprocidade diplomática e espera normalização das relações entre Brasil e EUA. © Foto / Ricardo Stuckert / Presidência da República

O governo brasileiro respondeu à decisão dos Estados Unidos de solicitar a saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo, acusando Washington de descumprir práticas diplomáticas e aplicando o princípio da reciprocidade ao retirar as credenciais de um agente norte-americano. O presidente Lula manifestou esperança na retomada do diálogo e na normalização das relações bilaterais.

De acordo com o Itamaraty, os EUA não seguiram a "boa prática diplomática" ao pedir que o delegado Marcelo Ivo de Carvalho deixasse o país. O Ministério das Relações Exteriores comunicou à embaixada norte-americana que também retirará as credenciais de um funcionário dos EUA no Brasil. A reação ocorre após o governo norte-americano solicitar a saída do delegado, que atuou na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

Em vídeo ao lado do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou a postura adotada e afirmou esperar que o diálogo entre os países seja reestabelecido:

"Parabéns pela sua posição com relação ao delegado americano, colocando a reciprocidade, ou seja, o que eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade", declarou Lula.

Nota oficial do Ministério das Relações Exteriores reforçou que a medida dos EUA contrariou o acordo de cooperação bilateral, já que não houve solicitação prévia de esclarecimentos nem tentativa de diálogo. O texto cita o memorando entre os países, que prevê consultas mútuas antes da substituição de oficiais de ligação.

Fontes ouvidas pelo G1 afirmam que o recado brasileiro é direto: assim como ocorreu com o delegado Marcelo Ivo, um oficial de ligação norte-americano deverá deixar o Brasil. O aviso foi transmitido verbalmente à embaixada dos EUA antes mesmo da publicação da nota oficial.

O Itamaraty destacou que toda a comunicação sobre o episódio — tanto o aviso ao delegado brasileiro quanto a conversa com representantes dos EUA — ocorreu de forma verbal. Integrantes do governo brasileiro vinham reclamando desde o início da semana da ausência de notificação formal por parte dos EUA sobre a decisão envolvendo Marcelo Ivo.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, declarou à GloboNews que o delegado brasileiro não foi expulso, mas retornou ao país por determinação dele, para que o governo brasileiro pudesse apurar se havia algum processo formal contra o agente em órgãos norte-americanos, como o Departamento de Estado ou o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE).

Andrei também confirmou a retirada das credenciais de trabalho de um agente de imigração dos EUA que atuava na sede da PF em Brasília, igualmente por reciprocidade. Sem as credenciais, o servidor norte-americano perde acesso às instalações e às bases de dados utilizadas na cooperação policial — procedimento idêntico ao que ocorreu com o delegado brasileiro nos Estados Unidos.

Por Sputnik Brasil