HABITAÇÃO

Governo amplia Minha Casa, Minha Vida e mira classe média para impulsionar crédito habitacional

Guaraci Nakamura da Smart Leilões, especialista em imóveis Caixa, avalia novas regras e de que forma elas estimulam o mercado imobiliário

Por Assessoria Publicado em 22/04/2026 às 16:46
Governo amplia Minha Casa, Minha Vida e mira classe média para impulsionar crédito habitacional Arquivo/Secom

A Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil começaram, nesta quarta-feira (22), a financiar imóveis com as novas regras do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) com o objetivo de ampliar o acesso ao crédito habitacional no país. As novas regras, aprovadas pelo Conselho Curador do FGTS e regulamentadas pelo Ministério das Cidades, elevam tanto os limites de renda quanto o valor máximo dos imóveis financiados. Segundo balanço do Ministério das Cidades, o Brasil registrou 698.582 financiamentos habitacionais em 2024, maior volume dos últimos 11 anos. Com as novas regras, o governo pretende alcançar 2 milhões de unidades financiadas até o fim deste ano, reforçando o papel do programa como motor do setor imobiliário. 

Entre as principais mudanças, está a ampliação da chamada Faixa 4, cujo teto de renda mensal passou de R$ 12 mil para R$ 13 mil. Já os limites dos imóveis também foram reajustados: nas Faixas 1 e 2, permanece o teto regional de até R$ 275 mil; na Faixa 3, o valor máximo subiu de R$ 350 mil para R$ 400 mil; e na faixa 4, de R$ 500 mil para R$ 600 mil. 

Para Guaraci Nakamura, especialista em imóveis Caixa da Smart Leilões, o principal impacto das mudanças é a ampliação do público atendido. “As novas regras reintegram a classe média ao mercado imobiliário e dão fôlego ao setor. Antes, muitas famílias ficavam em uma zona intermediária; ganhavam demais para o MCMV e de menos para arcar com as taxas do mercado tradicional. Agora, passam a ter acesso a juros subsidiados”, afirma. 

Na prática, as alterações aumentam o alcance do programa e podem reposicionar famílias em faixas com condições mais vantajosas, como juros reduzidos. Para beneficiários da Faixa 1, com renda em torno de R$ 3 mil, por exemplo, houve redução de pelo menos 0,25 ponto percentual na taxa mínima de juros. A expectativa é de que a medida impulsione a demanda por financiamentos e aqueça o mercado imobiliário. 

O especialista destaca ainda que a escolha entre financiar um imóvel pelo programa ou adquirir o bem por meio de leilões vai depender do perfil do comprador. “No MCMV, o imóvel pode ser adquirido na planta ou pronto, com segurança jurídica e possibilidade de financiamento de até 80% do valor em prazos longos, que podem chegar a 420 meses. Já os leilões exigem maior disponibilidade de capital e prazos mais curtos, mas oferecem descontos expressivos, entre 40% e 60% abaixo do valor de mercado”, explica. 

Segundo Nakamura, para quem busca valorização patrimonial no médio prazo e tem capital disponível, os leilões seguem atrativos. “Mesmo com juros mais baixos no crédito habitacional, o leilão ainda é imbatível no preço bruto. Por outro lado, o MCMV ganha força como alternativa segura e acessível para quem prioriza previsibilidade e menor risco”, conclui.