DEFESA E SEGURANÇA

EUA podem enfrentar escassez de mísseis estratégicos após conflito com Irã, aponta relatório

Estudo do CSIS alerta para reposição demorada dos arsenais e riscos em futuros confrontos de grande escala.

Publicado em 22/04/2026 às 12:02
Relatório aponta risco de escassez de mísseis estratégicos nos EUA após conflito com o Irã. © AP Photo / Kenneth Moll

Os Estados Unidos correm o risco de enfrentar uma escassez crítica de mísseis de alta precisão em futuros conflitos de grande escala devido ao esgotamento de seus arsenais durante o confronto com o Irã, segundo relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).

O CSIS aponta que o uso intensivo de mísseis essenciais nas últimas semanas resultou em uma redução significativa dos estoques, e a recomposição da capacidade de produção pode levar anos.

Por exemplo, no primeiro mês do conflito com o Irã, os EUA lançaram mais de 850 mísseis de cruzeiro Tomahawk. Com custo unitário de US$ 2,6 milhões (R$ 13,53 milhões), seriam necessários 47 meses para reabastecer o estoque com a atual capacidade de produção.

Os arsenais de mísseis de defesa antiaérea Patriot também foram afetados, caindo de 1.060 a 1.430 unidades. Segundo o CSIS, a reposição desse arsenal levará 42 meses, com cada míssil custando US$ 3,9 milhões (R$ 20,28 milhões).

Em relação aos complexos THAAD, dos 360 mísseis interceptores disponíveis antes do conflito, entre 190 e 290 foram utilizados. Cada unidade custa US$ 15,5 milhões (R$ 80,6 milhões), e a reposição pode levar até 53 meses.

O relatório também destaca o esgotamento dos mísseis balísticos de alta precisão PrSM (Precision Strike Missile), classe terra-ar. Das 90 unidades existentes, entre 40 e 70 foram usadas. Com custo de US$ 1,6 milhão (R$ 8,32 milhões) por míssil, a recomposição total pode demorar 46 meses.

Outro destaque é para os mísseis ar-terra JASSM: dos 4.000 disponíveis, mais de 1.000 foram empregados, e a reposição levará 48 meses. Cada unidade custa US$ 2,6 milhões (R$ 13,53 milhões).

Os mísseis multiuso SM-6 também foram utilizados de forma intensiva, com consumo entre 190 e 370 unidades. O custo de cada míssil é de US$ 5,3 milhões (R$ 27,56 milhões) e o prazo de reposição é de 53 meses.

Já os mísseis SM-3, mais caros e escassos, custam US$ 28,7 milhões (R$ 149,24 milhões) cada. Foram lançadas de 130 a 250 unidades, das 410 existentes, e a reposição completa pode levar 64 meses.

Especialistas do CSIS concluem que a redução dos estoques de munição representa riscos no curto prazo. Uma eventual guerra contra adversários de maior porte, como a China, exigiria volumes de munição ainda maiores do que os empregados no conflito com o Irã.

Como as reservas já eram insuficientes antes do conflito, o nível atual limita consideravelmente as capacidades operacionais dos EUA em possíveis confrontos futuros, alertam os analistas.

Por Sputnik Brasil