ECONOMIA INTERNACIONAL

Tensões geopolíticas freiam recuperação econômica da Alemanha, aponta Bundesbank

Banco central alemão destaca impacto da guerra no Oriente Médio e mudanças nos fluxos de investimento

Publicado em 22/04/2026 às 11:06
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

As questionamentos geopolíticos estão redesenhando os fluxos de capital da Alemanha e devem limitar a recuperação econômica do país no primeiro semestre de 2026 , conforme relatório mensal divulgado nesta quarta-feira, 22, pelo Bundesbank. O banco central alemão avalia que a economia teve um crescimento "ligeiro" no primeiro trimestre e projeta, no máximo, uma nova expansão modesta no segundo trimestre, diante dos efeitos da guerra no Oriente Médio.

De acordo com o Bundesbank, a atividade econômica no início do ano foi sustentada principalmente pela indústria e pelo setor de serviços. As vendas industriais e as exportações avançaram nos primeiros meses de 2026, contribuindo positivamente ao Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre. Em contrapartida, o consumo privado iniciou o ano de forma fraca, pressionado pela influência do mercado de trabalho e pela alta dos preços de energia.

Para o segundo trimestre, o banco central prevê um impulso crescente da política fiscal expansionista, mas ressalta que os efeitos do conflito no Oriente Médio devem pesar de forma mais ampla sobre a atividade econômica, devido ao encarecimento da energia, gargalos nas cadeias de abastecimento, aumento da incerteza, juros mais altos e perspectivas menos desenvolvidas para as exportações. O emprego vem caindo lentamente há nove meses, e a taxa de desemprego caiu 6,3% em março.

No cenário externo, o Bundesbank observa que ainda não há sinais de uma “desglobalização” ampla dos investimentos alemães, já que a interconexão internacional segue em expansão. No entanto, o foco geográfico dos investimentos está mudando: os investidores alemães mantêm maior exposição a países politicamente alinhados aos Estados Unidos e, desde meados de 2021, reduziram posições em títulos de países do bloco “oriental”.

O banco central alemão destacou que fatores geopolíticos já afetaram investimentos em carteira e outros investimentos, como empréstimos bancários, mas ainda não alteraram de maneira significativa os estoques de investimento direto externo, por se tratarem de decisões estratégicas de longo prazo.

O Bundesbank também aponta que a inflação anual ao consumidor subiu de 2,0% em fevereiro para 2,8% em março, impulsionada pelo aumento dos preços de energia, e deverá permanecer “significativamente elevada” nos próximos meses.