JUDICIÁRIO

STF decide até sexta-feira se mantém prisão de ex-presidente do BRB no Caso Master

Segunda Turma do Supremo avalia, em plenário virtual, a continuidade das prisões preventivas de investigados na Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master e o BRB.

Publicado em 22/04/2026 às 10:05
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) © flickr.com / Fellipe Sampaio/STF

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deve decidir até sexta-feira, 24, se mantém as prisões preventivas de investigados no caso do Banco Master, autorizadas pelo ministro André Mendonça. Entre os detidos está Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB).

O julgamento ocorre no plenário virtual da Corte, com prazo para os ministros registrarem seus votos das 11h desta quarta-feira, 22, até as 23h59 de sexta-feira. Às 11h, encerra-se também o prazo para apresentação das sustentações orais da defesa e da acusação.

Compõe a Segunda Turma, além de André Mendonça, os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes Marques.

O advogado de Paulo Henrique Costa, Cléber Lopes, declarou que a defesa “continua firme na descoberta de que ele não praticou crime algum”.

As prisões foram efetuadas na última quinta-feira, 16, durante a Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF), que investiga supostos crimes comerciais comerciais pelo banqueiro Daniel Vorcaro e pelo Banco Master. Entre os detalhes apontados estão gestão fraudulenta de instituição financeira, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

De acordo com a PF, o BRB teria injetado R$ 12 bilhões no Banco Master ao adquirir carteiras de crédito consignado fraudulentas, causando prejuízo bilionário ao BRB, que ainda não calculou o valor final e adiou a divulgação do balanço de 2025.

A investigação indica que o ex-presidente do BRB recebeu cerca de R$ 140 milhões em propina de Vorcaro, por meio da transferência de seis imóveis de luxo. Também foi preso o advogado Daniel Monteiro, apontado como responsável pela estruturação da operação de lavagem de dinheiro para o repasse da propina.

A defesa de Daniel Monteiro informou que "sua atuação sempre se deu de forma técnica, na condição de advogado do Banco Master e de diversos outros clientes, sem qualquer participação em atividades além do exercício profissional. Daniel está à disposição da Justiça e confia que os fatos serão integralmente esclarecidos".

Na decisão que autorizou as prisões, o ministro André Mendonça destacou que os elementos reunidos pela PF demonstram a existência de um esquema para viabilizar a negociação de carteiras de crédito fictícias entre o Banco Master e o BRB. Segundo o relator, as operações podem ter movimentado cerca de R$ 12,2 bilhões, mesmo diante de pareceres técnicos contrários.

Para Mendonça, ele pediu que a conduta do ex-presidente do BRB ultrapassasse falhas administrativas, evidenciando adesão consciente ao esquema investigado.

Como revelou o Estadão, diálogos extraídos do celular de Paulo Henrique Costa pela PF mostram que, em conversa com Vorcaro, o ex-presidente do BRB relatou que o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), solicitou informações para defender publicamente a compra do Master pelo BRB e rebater as críticas.