Chefe do órgão eleitoral do Peru renuncia em meio a críticas por irregularidades no pleito
Saída de Piero Corvetto ocorre após atrasos na apuração, falhas logísticas e investigação sobre o processo eleitoral peruano
Piero Corvetto deixa comando do órgão eleitoral do Peru após críticas e investigação sobre falhas no processo eleitoral.
O chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) do Peru, Piero Corvetto, renunciou ao cargo nesta terça-feira (21), em meio a críticas por irregularidades nas eleições gerais e à demora na divulgação dos resultados. Em carta enviada à Junta Nacional de Justiça (JNJ), Corvetto solicitou que sua saída "seja aceita em um breve prazo".
Corvetto afirmou considerar "necessário e urgente" seu afastamento, explicando que a decisão visa permitir que o segundo turno presidencial aconteça de forma confiável. Ele também manifestou, de modo indireto, a expectativa de que sua renúncia contribua para restaurar a credibilidade do processo eleitoral.
“Considero necessário e inadiável renunciar à responsabilidade que me foi atribuída, no interesse de que se organize e realize o segundo turno da eleição presidencial em um contexto de maior confiança cidadã no ONPE.”
Ao comentar as falhas registradas no pleito, o ex-dirigente apontou que os problemas na distribuição de material eleitoral em Lima foram de ordem técnica e operacional, e afirmou que está à disposição das autoridades para colaborar nas investigações sobre as irregularidades identificadas.
A renúncia ocorre poucas horas antes de seu depoimento ao Ministério Público, que apura possíveis irregularidades no processo, incluindo suspeitas de interferência no direito ao voto.
As eleições foram marcadas por atrasos na apuração — que já se prolongam por quase uma semana — e por falhas logísticas que impediram a abertura de seções eleitorais no horário previsto, afetando milhares de eleitores e levando à prorrogação inédita da votação. A Junta Nacional Eleitoral classificou os problemas como técnicos, enquanto a missão de observação da União Europeia apontou "sérias deficiências", embora sem identificar evidências de fraude.
A incerteza sobre os resultados permanece. A secretária-geral do órgão eleitoral, Yessica Clavijo, afirmou que a previsão é que os dados presidenciais sejam conhecidos apenas "por volta de meados de maio", etapa necessária para definir a realização do segundo turno. Segundo ela, o atraso se deve à revisão das atas contestadas, conduzida pelos jurados eleitorais em todo o país.
Clavijo destacou ainda que o trabalho segue em ritmo intenso para dar clareza sobre quais candidaturas poderão disputar o segundo turno, ressaltando o esforço contínuo das autoridades eleitorais na análise dos votos.