TENSÃO INTERNACIONAL

EUA ampliam sanções ao Irã perto do fim do cessar-fogo; Teerã questiona a seriedade de Washington

Novas restrições incluem empresas, aeronaves e cidadãos iranianos às vésperas do término da trégua; governo iraniano critica postura dos EUA e ameaça resposta firme a possível ataque.

Publicado em 21/04/2026 às 15:59
EUA ampliam sanções ao Irã às vésperas do fim do cessar-fogo, elevando a tensão entre os países. © AP Photo / Anjum Naveed

Mais cedo, Trump afirmou que não pretende estender a trégua, que encerra na noite de quarta-feira (22), e que os militares norte-americanos estão “ansiosos” para entrar em ação. O Irã, por sua vez, diz que responderá a qualquer novo ataque com mais firmeza do que antes.

Os Estados Unidos ampliaram terça-feira (21) as avaliações contra o Irã, incluindo na lista restritiva de empresas e aeronaves do país persa.

De acordo com o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) dos EUA, o Departamento do Tesouro adicionou oito cidadãos iranianos, com idades entre 24 e 71 anos, duas aeronaves Boeing 777 da Mahan Air e quatro organizações sediadas nos Emirados Árabes Unidos, Turquia e Irã.

O anúncio ocorreu poucas horas antes do término do cessar-fogo acordado entre EUA e Irã, previsto para a noite de quarta-feira (22), em meio à incerteza sobre o avanço das negociações de paz. Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que não pretende prorrogar a trégua.

Trump disse esperar um "ótimo acordo" para encerrar o conflito, mas reafirmou que não deseja estender o cessar-fogo e garantiu que as Forças Armadas americanas estão "prontas para entrar em ação" caso as negociações fracassem.

"Não quero fazer isso. Não temos tanto tempo assim. Espero bombardear, porque acho que essa é a melhor atitude para se ter em ação. [...] Mas estamos prontos para entrar em ação. Quero dizer, os militares estão ansiosos para começar."

O Irã, por sua vez, afirmou que ainda estará disponível se participará das negociações de paz de última hora com os EUA, citando a apreensão de um petroleiro iraniano pelas forças norte-americanas durante a trégua como fator de hesitação.

Irã acusa EUA de pirataria

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou à televisão estatal que o país ainda não decidiu sobre sua participação nas negociações.

Baghaei classificou a abordagem ao petroleiro, além da apreensão de um navio cargueiro no domingo (19), como “pirataria no mar e terrorismo de Estado”, o que, segundo ele, coloca em dúvida a seriedade de Washington nas tratativas.

“A agressão contra navios iranianos e a pressão contínua indicam a persistência do comportamento contraditório do lado oposto”, afirmou Baghaei.

O ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, publicou no X que o país ainda aguardava a resposta do Irã ao convite para negociações.

“O Paquistão, como mediador, está em contato constante com os iranianos e segue o caminho da diplomacia e do diálogo”, escreveu.

A porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, afirmou à agência IRNA que Teerã não deseja o confronto, mas responderá com firmeza a eventuais ataques.

“Não queremos ser atacados novamente, mas se tais ataques ocorrerem, certamente responderemos com mais firmeza do que antes”, declarou.

Por Sputnik Brasil