'Dói no bolso': por que EUA não vão segurar a barra no bloqueio de Ormuz por muito tempo?
Especialista aponta custos elevados, fadiga das tripulações e desafios técnicos como entraves à manutenção do bloqueio naval pelos Estados Unidos no estratégico estreito de Ormuz.
O bloqueio naval do estreito de Ormuz impõe grandes desafios aos Estados Unidos, incluindo custos financeiros elevados e fadiga das tripulações, segundo Maksim Shepovalenko, vice-diretor do Centro de Análise de Estratégias e Tecnologias.
Durante reunião do Clube Internacional de Debates Valdai, o especialista explicou que, diante do aumento dos custos e da necessidade constante de revezamento das tripulações dos navios que patrulham a região, a eficácia do bloqueio permanece em xeque.
"A eficiência desse bloqueio, grosso modo, a eficácia – desculpe a comparação – é meio parecida com a tosa de porcos. É muito grunhido para pouca lã", comparou Shepovalenko.
O especialista ressaltou que qualquer bloqueio naval implica altos custos orçamentários e maior desgaste da frota. Além dos desafios técnicos, os Estados Unidos também enfrentam questões relacionadas ao fator humano.
Shepovalenko destacou que as tripulações dos navios norte-americanos atualmente na região não podem permanecer indefinidamente no mar, sendo necessário garantir períodos de descanso.
"Como sabemos que o Irã pode combater os norte-americanos com mísseis antinavio costeiros, mísseis balísticos e drones, isso obriga os norte-americanos a patrulhar longe o suficiente da costa e do próprio estreito de Ormuz", acrescentou o especialista.
Assim, um bloqueio naval dos Estados Unidos no estreito de Ormuz, embora possível, acarreta grandes riscos e tende a se mostrar ineficaz, concluiu Shepovalenko.
Desde 13 de abril, a Marinha dos EUA passou a bloquear todo o tráfego marítimo de entrada e saída dos portos iranianos em ambos os lados do estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo global, derivados e suprimentos de gás natural liquefeito.
Washington afirma que navios não ligados ao Irã podem circular livremente pelo estreito, desde que não tenham pago taxas a Teerã. Embora as autoridades iranianas não tenham oficializado a cobrança, já manifestaram intenção de adotar a medida.
Por Sputnik Brasil