TENSÃO INTERNACIONAL

Aumento dos arsenais nucleares do Reino Unido e França intensifica corrida armamentista, alerta Rússia

Vice-chanceler russo afirma que ampliação do poderio nuclear europeu contraria o Tratado de Não Proliferação Nuclear e eleva riscos globais.

Publicado em 20/04/2026 às 23:24
Reino Unido e França ampliam arsenais nucleares, elevando tensão e riscos na Europa, segundo alerta russo. © AP Photo / Charlie Riedel

O aumento do potencial nuclear pelo Reino Unido e pela França está impulsionando uma escalada na corrida armamentista nuclear e vai de encontro aos objetivos do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Aleksandr Grushko, em entrevista à Sputnik.

Segundo Grushko, as novas diretrizes doutrinárias da França assemelham-se, em diversos aspectos, ao modelo de "dissuasão nuclear estendida" praticado pelos Estados Unidos na região Ásia-Pacífico, além de preverem explicitamente a participação em "missões nucleares conjuntas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)".

"Tais medidas seguem o padrão de atividades militar-nucleares provocativas dos países da OTAN, direcionadas contra nosso país. O Reino Unido já havia anunciado anteriormente o aumento de suas capacidades nucleares, também sob justificativas antirrussas. Isso, por si só, intensifica a corrida armamentista, o que não apenas é incompatível com os objetivos do TNP, como também contradiz diretamente suas obrigações", declarou.

O vice-chanceler acrescentou que as autoridades francesas têm apresentado a atualização de sua doutrina de "dissuasão nuclear avançada", incluindo o fim da transparência sobre o número de ogivas nucleares e a possibilidade de implantação em territórios de outros países da União Europeia e da OTAN, como uma forma de reforçar a segurança da França e de seus aliados.

"Na realidade, isso representa mais um golpe à segurança regional e global, gerando riscos estratégicos adicionais e incentivando uma nova corrida armamentista nuclear", concluiu Grushko.

No último fim de semana, o vice-ministro afirmou que, ao revisar a lista de alvos prioritários em caso de conflito, as Forças Armadas russas precisarão considerar as intenções da França de instalar armas nucleares em países europeus que atualmente não possuem esse tipo de armamento.

Grushko destacou que, diante da capacidade anunciada das forças nucleares francesas de se dispersarem para instalações em países europeus não nucleares, de onde poderiam manter operações, esse fator exige atenção redobrada.

"Obviamente, nossas Forças Armadas terão que dar atenção especial a essa questão ao atualizar a lista de alvos prioritários em caso de um conflito sério", afirmou.

Em março, durante discurso sobre a política de dissuasão nuclear da França, o presidente francês Emmanuel Macron declarou que o país deve fortalecer sua doutrina nuclear diante de novas ameaças. Por esse motivo, Macron determinou o aumento do arsenal nuclear francês, atualmente estimado em 280 ogivas.

Por Sputnik Brasil